App gaúcho ajuda a evitar alimentos ultraprocessados

A população brasileira passou a consumir ainda mais alimentos processados durante a pandemia.


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A pandemia transformou a rotina de vários brasileiros em muitos aspectos, como a alimentação. De acordo com uma pesquisa recente do Datafolha, a população brasileira passou a consumir ainda mais alimentos processados durante a pandemia. Os alimentos acabam sendo os mais comprados por conta da praticidade ou da falta de informação. Por conta disso, dois gaúchos com alimentações restritivas criaram um aplicativo para facilitar  ida ao mercado.

Segundo a nutricionista Maria Julia Rosa, a diferença entre alimentos processados e ultraprocessados é simples. “O Guia Alimentar da População Brasileira, do Ministério da Saúde, cria as categorias de alimentos in natura, minimamente processados, processados e ultraprocessados. Quando um alimento tem aditivo de sal ou açúcar, ele já é processado. Já ultraprocessado é quando contém aditivos que nós não reconhecemos como alimentos, que não temos em casa”, explica.

O levantamento do Datafolha, encomendado pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), ouviu diversas pessoas entre 18 e 55 anos pertencentes a todas as classes econômicas e de todas as regiões do Brasil. Segundo o estudo, durante a pandemia, os brasileiros de 45 a 55 anos estão consumindo mais alimentos ultraprocessados. O consumo desses produtos nessa faixa etária em junho de 2020 era de 16%, enquanto em outubro do ano passado era de 9%.

Além disso, a pesquisa mostra que biscoitos salgados ou salgadinhos foram os produtos mais consumidos em comparação com o levantamento de 2019, subindo de 30% para 35%. O segundo lugar no ranking ficou com margarina, maionese, ketchup ou outros molhos industrializados. O consumo aumentou de 50% em 2019 para 54% esse ano.

Maria Julia acredita que o primeiro desafio para tirar alimentos ultraprocessados da dieta é saber escolher os alimentos certos no mercado. Foi por isso que Fábio Licks, desenvolvedor de aplicativos e intolerante à lactose e ao glúten, e Rodrigo Busata, desenvolvedor de sistemas e vegano, criaram um aplicativo que facilita a leitura dos ingredientes nas embalagens dos produtos.

Depois de selecionar um dos perfis alimentares disponíveis (alérgico à crustáceos, dieta low carb, vegano, etc), o usuário aponta a câmera pelo aplicativo para a embalagem e o Loomos avisa caso o alimento em questão contenha algum ingrediente que não condiga com o perfil alimentar. “Por exemplo, veganos também não podem comer alguns tipos de corantes, que são de origem animal. Então um vegano não precisa decorar quais corantes pode comer, o aplicativo vai avisar que aquele alimento tem um corante que não pode ser consumido”, explica Licks.

Ele brinca que o aplicativo é como se fosse uma extensão dos olhos e da memória, tendo em vista que o Loomos é capaz de identificar ingredientes que, muitas vezes, as pessoas não lembram ou passam despercebidos. O aplicativo foi lançado em setembro e já tem mais de 10 mil downloads. “Notamos também que aqueles que baixaram continuaram usando o aplicativo, não apagaram do celular. Então é um bom sinal.”

O primeiro passo para perceber que um alimento não é saudável como parece ser é quando a lista de ingredientes é grande. “Ligamos o sinal de alerta quando um alimento tem mais de cinco ingredientes e quando a maioria deles são ingredientes que não teríamos na nossa casa”, afirma Maria Julia, também da equipe Loomos. No aplicativo, para evitar esses alimentos, basta selecionar a opção de vida saudável.

Fonte: Jornal do Comércio

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