Aprovada restituição de valores já pagos por agricultores pelo milho Troca-Troca

Vereadores lamentam problemas causados por enchente histórica.


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Foto: Marcio Steiner

Os vereadores de Arroio do Meio realizaram mais uma sessão ordinária nesta quarta-feira, dia 15 de julho. Lembrando que a Casa Legislativa tem na presidência o vereador Luís Both (PDT).

Na ordem do dia estiveram dois projetos de lei encaminhados pelo Poder Executivo Municipal, os quais foram aprovados por unanimidade:

– O projeto 034 que dá nova redação ao artigo 10 da Lei Municipal nº 3.775, de 22 de agosto de 2019, a qual dispõe sobre o parcelamento da dívida tributária e não tributária municipal, juros, multa.

– A matéria 035 que autoriza o Poder Executivo a restituir valores já pagos pelos agricultores do Município relativo ao Programa Troca-Troca Safra 2019/2020, no valor de até R$ 45.461,50, em conformidade com a Resolução do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Estabelecimentos Rurais (Feaper), publicada no Diário Oficial do Estado em 12 de junho de 2020.

Durante o grande expediente o assunto mais abordado pelos vereadores foi a enchente história que atingiu o município e região, sendo enaltecido o trabalho dos órgãos competentes e o voluntariado em prol das pessoas que foram assoladas.

A próxima sessão ordinária está agendada para às 18h30 do dia 5 de agosto.

Grande Expediente

Helena Matte (MDB) – Iniciou parabenizando o colega Rodrigo Kreutz pelo nascimento do filho. A vereadora falou da sensação em geral de angustia, frente a situação do município e região pelos problemas enfrentados pela seca, pandemia e a enchente. “Para quem reside em área inundável, como eu, é realmente inimaginável ver o quanto se perde, o quanto as famílias perderam, resultando em perdas para o município como um todo”. Helena disse que agora é ajudar da melhor maneira possível para que todos se recuperem. Disse ter conversado com as pessoas e percebeu a garra com que os servidores e voluntários se dedicam para que tudo se reestabeleça. Agradeceu ao prefeito e equipe da Administração que não está medindo esforços para atender as demandas, para que a cidade volte à sua beleza tradicional.

Vanderlei Majolo (PP) – Solicitou para que a mesa diretora repasse aos órgãos competentes, pedido de providências a respeito da estrada vicinal de Forqueta a qual está com buracos, os quais foram piorando com a chuvarada. Lembrou que a Administração está empenhada em outras frentes, mas observa que o reparo, o quanto antes, seria interessante. Acrescentou que um empresário de Palmas lhe relatou que a estrada de Bicudo também está muito ruim. Em aparte a vereadora Adiles Meyer (MDB) disse concordar com a situação delicada das vias. Também em aparte, o vereador Pedro Volmir de Freitas Noronha, o Kiko (PDT) disse ter visto máquinas se deslocando para possivelmente atender os locais com problemas citados pelo colega. Majolo também avaliou que o ano em curso está atípico e sendo de desafios para todos, tendo em vista os momentos de estiagem, pandemia e a enchente fora do comum que atingiu direta ou indiretamente todas as famílias. “Nossas pessoas estão sendo testadas. Se não houver humanidade, compromisso, compreensão e ajuda, não vai dar certo”, disse. Desafiou as pessoas que estão em situação privilegiada financeiramente a ajudar os que estão precisando. “Aqui estamos de passagem e não se leva nada de bens materiais. Só se leva junto, a vida que se leva”. Acrescentou que ao longo de seus anos de vida conseguiu ter uma percepção do que é o ser humano. Que de certa forma é uma máquina muito forte e ao mesmo tempo muito sensível.

Cesar Kortz (MDB) – Iniciou fazendo um relato do final do ano passado, quando começou uma das estiagens mais longas que tivemos, a qual resultou em muitas perdas para os agricultores. Acrescentou que logo em seguida surgiu a pandemia, que obrigou uma mudança no modo de vida, na cultura, no jeito de trabalhar, na higiene pessoal, uma verdadeira reviravolta. Agora a enchente de proporções gigantescas que devastou a parte baixa da cidade. “Quem passou por essa parte da cidade, que conheceu antes, não acredita que a natureza possa ter feito o que fez”. O vereador mencionou a Administração, Defesa Civil, funcionários da prefeitura, bombeiros, amigos, vizinhos, familiares, empresas e demais voluntários, ressaltando que foi um momento bonito de união das pessoas. Ressaltou que estão acontecendo muitas doações. Não bastasse a enchente, Kortz lembrou que ocorreram dois deslizamentos de terra exigindo que a prefeitura também destinasse equipes para resolver esses problemas de desobstrução de vias no interior. Pontuou que a agricultura mais uma vez sofreu com a enchente. Destacou que foram em torno de 230 hectares de trigo atingidos e cerca de 300 hectares de pastagens de inverno. Sendo assim, novamente a média do leite deverá baixar. Ainda, que aproximadamente 750 toneladas de silagem foram embora com a água. Prejuízos que restaram para os produtores rurais, os quais mais uma vez vão ter que correr em busca de sua recuperação.

Roque Haas, o Rocha (PP) – Elogiou o colega Cesar Kortz que colocou a situações dos agricultores e as pessoas que foram atingidas pela enchente. Também fez um pedido quanto ao distrito de Forqueta, onde sai à rua acima do Forquetense, em uma curva. Disse que no local já ocorreram inúmeros acidentes e por isso sugere a colocação de placas indicativas ou um redutor de velocidade. Rocha observa que precisa ter o aval do Daer. O vereador também abordou a agricultura, salientando que o setor sofreu com uma das maiores estiagens que o município passou, obrigando o setor a fazer milagre. Disse que muitos não conseguiram colher a safra e apostaram na safrinha, a qual foi ainda pior. Depois veio a pandemia. Disse não ser contra as pessoas que foram contempladas com os R$ 600 do governo federal, contudo lamentou o fato dos produtores rurais não terem sido contemplados com o referido valor. “A situação já era difícil, não se tendo dinheiro para honrar com os compromissos e ainda precisando comprar o trato perdido. Quanto a enchente disse ser algo praticamente inédito devido à dimensão que tomou. “Não adianta, ninguém pode fazer algo contra o tempo”. Rocha disse tentar se colocar na situação das pessoas, onde inúmeras, milhares, estão passando por dificuldades. “Como é importante pensar um pouco no próximo. Mas parece que isso está mudando. É gratificante quando se está numa situação dessas e alguém lhe estende a mão. O pouco de cada um pode ser bastante para quem precisa”, concluiu.

Pedro Volmir de Freitas Noronha, o Kiko (PDT) – Falou sobre o pedido da reforma da ponte na Rua João Antônio Rauber, onde baixou o calçamento. Observa que o problema é fácil de ser resolvido. Sobre a enchente, disse que querendo ou não se envolveu por ser da comunidade, por ter residido na área por 24 anos e que ainda possui parentes e amigos na localidade. Agradeceu aos voluntários que ajudaram a resgatar as pessoas na noite da cheia, tendo sido um momento de desespero. Disse que chegaram vários barcos para ajudar e que a prefeitura também teve boa participação no auxiliou das pessoas. Também observou as diversas doações de alimentos, roupas e moveis, tanto no Cras como na igreja Assembleia de Deus. Kiko também falou da Ponte de Ferro entre Lajeado e Arroio do Meio, a qual há cerca de 12 anos não passa por reforma. “Por ser um ponto turístico está muito danificado. Deveria ser feito como em outra ocasião quando as duas prefeituras fizeram licitação para reformar a estrutura”. O vereador ainda sugeriu que se pense na possibilidade de adquirir dois ou três barcos para a Defesa Civil local. Assim como ter pessoas preparadas para manejar as embarcações em situações de enchente. “É um perigo. Até os bombeiros estragaram um barco. Passei medo ao tirar pessoas de dentro de casa, com água na cintura”. Agradeceu a Deus por não ter havido vítimas fatais. Por último salientou ter auxiliado a remover diversas pessoas, contudo, lamenta que não pôde estar em todas as pontas.

José Elton Lorscheiter, o Pantera (PP) – Também falou da enchente que afetou a região e que felizmente foram apenas danos materiais. Agradeceu as pessoas que ajudaram. Sugeriu que as pessoas afetadas levantem a cabeça e sigam e frente, pois os bens materiais podem ser reconquistados. “Juntos podemos unir forças para dar um mínimo de conforto a essas famílias”. Também fez votos para que a Defesa Civil conquiste barcos, como sugeriu Kiko Noronha. “Graças a Deus tivemos muitos voluntários corajosos, colocando até as suas vidas em risco para ajudar o próximo”. Reforçou o pedido de informações das bancadas do PDT e PP, quanto as contribuições de cada morador no que tange a obras das ruas Alagoas, Dona Rita e Esperança. Disse que o prefeito e a equipe ficaram de dar um valor aproximado. Disse ainda que isso é importante para que os moradores possam se organizar financeiramente. Pantera mais uma vez cobrou a pintura e quebra-molas nas avenidas novas, que estão sem sinalização. Disse que nos dias de chuva o trafego fica complicado. Reforçou a implantação de um quebra-molas na avenida Carlos Suhre, a qual na madrugada vira pista de corrida.

Rodrigo Kreutz (MDB) – Falou da alegria de ter se tornado pai. Diante das situações adversas frisou que “o ano realmente está nos testando”. Disse que a enchente foi histórica, que chegou onde maioria nunca tinha visto e causou enormes perdas em diversos bairros do município. Lembrou que em Arroio do Meio os trabalhos começaram na terça-feira, deixando todos de alerta. As primeiras famílias foram retiradas na noite da terça. “Aqui em Arroio do Meio o rio apontou 33,15m de elevação”. Frisou que que cada enchente é diferente e não é possível saber como vai reagir. “Desta vez quem realmente teve as maiores perdas foram as pessoas onde a água invadiu o segundo piso e as residências que anteriormente nuca foram invadidas pelas águas. Os mais ribeirinhos já haviam sido retirados”. Frisou que o grande problema no município é na Campos Sales, o valão, onde as pessoas ficam isoladas. Local, como outros, onde as pessoas que não saem num primeiro momento, depois não tem mais como sair. Sugeriu que as autoridades precisam pensar em toda a bacia do Taquari para tentar prever algo em termos de enchente. Kreutz também observou que até aquele momento haviam sido retirados mais de 200 cargas de entulhos gerados das ruas. O vereador se emocionou ao dizer que, diante de toda a situação de risco que se criou, é praticamente um milagre não terem sido registradas mortes. Disse ainda que o Cras está fazendo o cadastramento e levantamento das famílias atingidas. As doações devem ser feitas para este órgão, o qual fará o encaminhamento. Frisou que não será possível dar tudo para todas as pessoas, mas que o mais importante é ter o básico. Por último, parabenizou todos os servidores do município, assim como os demais voluntários pela organização e dedicação para suprir da melhor maneira possível esse problema.

Marcelo Schneider (MDB) – O vereador também tratou sobre a enchente, diante da qual muitos dos munícipes tiveram grandes prejuízos, mas que a administração, incluindo a câmara de vereadores, deve num primeiro momento se preocupar com as pessoas. Lembrou que em sua totalidade os afetados foram contemplados com uma boa refeição, tendo em vista que a grande maioria ou tinha perdido ou não tinha condições de preparam o que comer. A prefeitura também repassou produtos de limpeza. “É nas pequenas coisas que as pessoas se sentem confortadas e que logo conseguem retomar a vida”. Observou ser um ano atípico o qual parece que a cada três meses vem algo novo. Schneider aproveitou para parabenizar o voluntariado. “As pessoas estão vendo que cada uma precisa da outra. Neste sentido, em todos os municípios está acontecendo isso”. O vereador disse que acompanhou a distribuição das roupas onde muitas pessoas ganharam ótimas peças. Agora a distribuição de móveis e outros utensílios. “Todos estão ganhando um pouco. Não vai ter tudo, mas o mínimo para o aconchego”, disse. Quanto a Defesa Civil, também sugeriu a aquisição de algum equipamento para que se possa locomover com maior agilidade e potência. Fez votos para que todas as famílias tenham um bom retorno às suas casas.

Adiles Meyer (MDB) – Como cada um fez sua fala expressando as emoções que afloram, pôde se ver quanto a natureza vem sendo transformada pelo ser humano. “Em outros momentos estava distante de nós e agora está aí. Toda ação gera uma reação. Quando estávamos quase nos adaptando as transformações, veio a enchente com proporção histórica”. No decorrer a solidariedade ficou estampada. Cada um do seu jeito, prestou sua ajuda braçal, com doações para as famílias que foram duramente afetadas. O cuidado para com as pessoas foi e segue sendo fundamental. Aos poucos o município vem voltando ao seu normal. A vereadora agradeceu a todos os cidadãos que se mobilizaram e as secretarias com seus servidores. “Foi possível sentir a disponibilidade dos funcionários. Tudo foi conduzido e direcionado para que cada um tivesse sua utilidade. O voluntariado, as empresas, a empatia, isso mexeu com as pessoas do Vale”, disse. “O prefeito e a vice estão de parabéns pela condução do evento, que não tinha plano, projeto ou data marcada. Souberam coordenar e continuar para que tivessem a resolução dos problemas”.

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