APS prisional amplia atendimentos de saúde para mais de 500 apenados em Venâncio Aires

Equipe de atenção básica contabiliza mais de 700 atendimentos em um mês de atividades


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Foto: Divulgação

Desde o dia 18 de abril, a Penitenciária Estadual de Venâncio Aires – Peva conta com os serviços da Assistência Profissional em Saúde – APS da Universidade do Vale do Taquari – Univates. O contrato firmado pela Fundação Univates e Prefeitura de Venâncio Aires prevê a prestação de até 150 horas mensais de serviços de médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, cirurgiões-dentistas e psicólogos na unidade prisional, que conta com uma população carcerária de mais de 500 homens.

No primeiro mês de gestão e operacionalização da equipe de atenção básica, já foram realizados mais de 700 atendimentos especializados, que compreendem um cuidado de escuta, planejamento e acompanhamento voltado à prevenção de doenças e promoção da saúde. Segundo Camila Castro da Silveira Morsch, cirurgiã-dentista na APS prisional, o impacto desses atendimentos, a médio prazo, será a redução da procura pelas consultas de livre demanda ou casos de urgência.

Prevenção e cuidado

Em apenas um mês de atuação, foram realizados 54 exames clínicos iniciais odontológicos, que permitem a avaliação da condição bucal dos pacientes e a elaboração de um plano de tratamento conforme as necessidades de cada um.

O procedimento mais realizado foi o de extração dentária. “A ideia é que este quadro mude com o tempo, pois em todo exame inicial são repassadas orientações individuais de higiene e saúde bucal. Com a entrega de escova e creme dental, e as devidas orientações, buscamos semear uma cultura de autocuidado”, destaca Camila.

Já no setor de enfermagem, a proposta também é voltada ao cuidado, à promoção da saúde e prevenção de danos. Foram mais de 700 atendimentos entre acolhimento e escuta, realização de curativos, nebulização, vacinação e aferição de sinais vitais.

Conforme Camila, a equipe também participa de um processo de triagem de saúde quando novos apenados chegam à Peva. A psicóloga, por exemplo, identifica os principais fatores emocionais e sociais da população carcerária para poder planejar uma linha de atendimentos mais eficaz, que motive uma mudança de postura diante das dificuldades. Desde o início das atividades, já foram realizados cerca de 50 atendimentos psicológicos.

Ampliação dos atendimentos especializados

A APS prisional conta com cinco profissionais contratados pela Univates. A composição da equipe contempla mais profissionais e com maior carga horária semanal do que era oferecido pelo município até então.

Gabriela Moyses Kilian, técnica superior penitenciária e psicóloga da Superintendência dos Serviços Penitenciários – Susepe – referência do setor de saúde da Peva, acrescenta que a principal consequência dessa ampliação de atendimentos é que, além das demandas pontuais dos apenados, é possível atuar em ações de prevenção e orientação ligadas às questões que mais incidem no sistema penitenciário.

Para Gabriela, o impacto das atividades da APS prisional é muito positivo devido à importância dos atendimentos para as pessoas privadas de liberdade. Com mais uma psicóloga integrando a equipe, é possível realizar atendimentos individuais, avaliação e orientação aos apenados.

A cirurgiã-dentista Camila Castro da Silveira Morsch, ressalta que foram feitas melhorias no ambiente de trabalho após a chegada dos novos profissionais, com o objetivo de dinamizar os atendimentos e organizar o processo de trabalho. “Buscamos também tornar o local receptivo aos agentes penitenciários que acompanham todos os procedimentos, primando pela segurança de todos”, esclarece.

Além da estrutura que já estava disponível, a responsável pela equipe, enfermeira Patrícia Mello da Silveira, também providenciou um cilindro de oxigênio e equipamentos de suporte para um primeiro atendimento de urgência quando necessário.

Embora os atendimentos na área da saúde tenham como propósito melhorar a saúde e a qualidade de vida das pessoas, independentemente do contexto em que estejam inseridas, o ambiente prisional por si só é diferente do que a maior parte dos profissionais está habituada.

Nesse sentido, Camila garante que toda a equipe está se adaptando às circunstâncias impostas pelo ambiente e que a experiência é extremamente gratificante. “A principal diferença em relação aos serviços à comunidade em geral é ter que organizar os horários e sequências de  atendimentos da demanda juntamente com as rotinas e os procedimentos eventuais da equipe da Susepe”, diz. AI/VM

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