Argentinos protestam contra quarentena mais longa da América Latina

Mesmo com a estratégia, multiplicação de casos começa a sair de controle, sob ameaça de saturar o sistema de Saúde, e afetando a imagem do presidente Alberto Fernández.


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Argentinos demonstram intolerância às medidas de segurança justamente no momento de aumento de casos de covid-19 (Foto: AFP)

A intolerância social faz ruir a quarentena argentina, a mais longa e uma das mais rígidas da América Latina, única estratégia adotada pelo governo para conter a epidemia de coronavírus no país. Mesmo assim, a multiplicação de casos começa a sair de controle, sob ameaça de saturar o sistema de Saúde, e afetando a imagem do presidente Alberto Fernández.

Os argentinos aproveitam o dia do libertador do país, o general San Martín, para gritarem simbolicamente por liberdade contra a quarentena que completa 150 dias, a mais prorrogada da América Latina, o que impõe um alto custo econômico, social e até mesmo psicológico para o país.

O protesto desta segunda-feira (17) também pretende defender as instituições republicanas contra uma Reforma Judiciária que, na opinião dos manifestantes, foi feita sob medida para livrar a vice-presidente Cristina Kirchner de processos por corrupção. Isso quando o país tem outras prioridades.

A deterioração social também elevou o nível de violência no país. Na área metropolitana de Buenos Aires é registrado um roubo a cada três minutos. Convocadas pelas redes sociais, as manifestações estão previstas para as 16h nas principais praças de todo o país, com maiores concentrações no Obelisco do Centro de Buenos Aires, na Praça de Maio, em frente à Casa Rosada e em frente à residência oficial de Olivos.

Depois de cinco meses da apelidada “quarenterna” (quarentena eterna), os argentinos demonstram intolerância às medidas de segurança sanitária, justamente quando a curva de contágios aumenta diariamente, elevando também o número de mortos.

“Do ponto de vista social, o protesto é uma imensa irresponsabilidade, motivada por um setor extremo da oposição, que usa a pandemia para fazer política”, revela à RFI o analista político Raúl Aragón, para quem a manifestação tem efeitos ambíguos para o governo.

“Por um lado, um protesto maciço contra um governo nunca é bom, politicamente. Por outro, reforça o discurso de Fernández de jogar a culpa do aumento de contágios na irresponsabilidade social”, observa Aragón.

Fonte: UOL

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