Arroio do Meio construirá muro de gabião para conter força das enchentes

Margem do Rio Taquari no Bairro Navegantes foi desbarrancada pela cheia histórica. Prefeitura conquistou R$ 4 milhões do governo federal para a obra.


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Força das águas levou estrutura que havia sido feita por moradores (Foto: Natalia Ribeiro)

Para proteger o barranco e o leito do Rio Taquari, em trecho no Bairro Navegantes, a Prefeitura de Arroio do Meio irá construir um muro de gabião com oito metros de altura, sendo a base, de três metros, firmada dentro da água. A reconstrução do espaço é necessária para amenizar os danos da cheia histórica, ocorrida em julho, e minimizar os problemas que possam ser causados em uma nova enchente.


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O governo federal publicou em 2 de setembro, no Diário Oficial, a liberação de R$ 4.064.617,07 para a obra. O recurso foi solicitado pelo prefeito Klaus Werner Schnack, em Brasília, durante comitiva dos prefeitos, de 21 a 24 de julho. Segundo o coordenador da Secretaria de Planejamento de Arroio do Meio, Fernando Enéias Bruxel, o projeto está em fase de elaboração. “Desde que as águas baixaram a equipe de engenharia acompanha a questão do barranco junto à Rua Campos Sales, de como foi afetado naquele momento e os dados após dois meses da enchente”, coloca.

A extensão do perímetro a ser contemplado com o muro é de 100 metros. Fica em frente a uma série de casas, num local habitado, e que inclusive tem a via bloqueada por conta dos danos da cheia. A rua, na avaliação de Bruxel, já mostra desnível, que pode ter sido provocado por eventos climáticos semelhantes. “Há preocupação com a movimentação do solo. Não se sabe como está embaixo. Conseguimos perceber o problema, mas tem a parte estrutural, que visualmente acabamos não enxergando”.

Coordenador da Secretaria de Planejamento de Arroio do Meio, Fernando Enéias Bruxel (Foto: Natalia Ribeiro)

O muro será composto de gaiolas de aço com rochas no interior. O objetivo é que a água possa escoar do barranco e, assim, garantir a segurança da estrutura. Não há residências na margem do rio, apenas em frente. O problema é antigo, mas foi agravado com o acontecimento recente. Em 2011, segundo o morador Ricardo José Korb, houve o primeiro deslizamento. O homem investiu em aterro e canos para drenar a água do Taquari, o que não foi suficiente. A cheia levou até a estrutura montada.

A administração finaliza o projeto para depois lançar a licitação, que tem previsão de divulgação entre o fim de outubro e o início de novembro. Depois será contratada empresa responsável e dado início ao trabalho de sustentação da barranca do rio.

Mais recursos

Até o momento, Arroio do Meio é o município, entre os afetados pela cheia do Rio Taquari, que mais recebeu recursos federais. Além dos R$ 4.064.617,07 a serem aplicados em reconstrução, com a obra do muro de gabião, foram entregues R$ 1.004.909,23 para a destinação final de resíduos resultantes da inundação e mais R$ 337.908,00 para cestas básicas, kit limpeza e higiene pessoal, cobertores e colchões.

Bruxel conta que foram retiradas cerca de 800 cargas de entulhos, com utensílios domésticos perdidos pelos desabrigados e desalojados. O material recolhido foi levado até a antiga saibreira, onde segue. “Um volume absurdo. Temos um monte gigante com materiais”, fala o coordenador da Secretaria de Planejamento. O destino final ainda será definido junto da empresa a vencer a licitação.

Saiba mais

O Vale do Taquari recebeu R$ 10 milhões em recursos do governo federal para recuperação após a cheia histórica do Rio Taquari. Foi a mais elevada em 64 anos. A liberação foi confirmada em publicação no Diário Oficial da União, de 2 de setembro, com autorização do Ministério do Desenvolvimento Regional, por meio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil. Quatro municípios do Vale do Taquari, dos 13 relacionados com danos, já receberam recursos. São três áreas.

O município que garantiu a maior fatia de dinheiro até o momento é Arroio do Meio, com o total de R$ 5.407.434,30. Deste montante, são R$ 4.064.617,07 para reconstrução, R$ 1.004.909,23 restabelecimento e R$ 337.908,00 em ajuda humanitária. Foram transferidos R$ 337.908,00 em 30 de julho para assistência. Em 20 de agosto mais R$ 1.004.909,23 para ações de restabelecimento e em 31 de agosto receberam aprovação metas no valor de R$ 4.064.617,07 para ações de reconstrução.

Depois, em segundo lugar no recebimento de recursos, está Lajeado, que teve R$ 4.207.722,49 liberados. O montante é para restabelecimento e será aplicado na recuperação de taludes em 13 pontos, e 450 metros, identificados pela Prefeitura de Lajeado com danos provocados pela cheia. A sessão pública será em 8 de outubro

Muçum é o terceiro habilitado, com R$ 248.059,70 para restabelecimento. Por fim, Estrela já garantiu R$ 59.355,00 com o objetivo de ser aplicado em ajuda humanitária, setor que permite a aplicação em roupas, medicamentos e alimentos, com vistas a atender as famílias atingidas. No caso do restabelecimento, o foco está em obras para repor a trafegabilidade e a circulação após um episódio climático, como a enchente. Já a reconstrução destina incentivos para obras não imediatas.

Texto: Natalia Ribeiro
jornalismo@independente

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