Arroz: a vítima da vez

Confira o comentário do engenheiro agrônomo Nilo Cortez.


0

O nosso tradicional arroz o “Oryza sp” é uma gramínea. E o RS é o maior produtor brasileiro, tem a tecnologia mais avançada, e ainda produz a melhor qualidade. Isto tudo com muito investimento em tecnologia, sementes, demais insumos, manejo do solo, irrigação, maquinas e implementos. Cerca de 80% do consumo é de arroz branco descascado e polido. Que tem lá algumas restrições. O restante é de arroz integral, parboilizado e pré-prontos. Outro grupo são os “quebrados” conhecidos como canjica, canjicão, quirera e farelo todos representam um terço das exportações principalmente para o continente africano.

Aqui na região o plantio de arroz tradicional irrigado fica restrito a algumas áreas de Cruzeiro do Sul e Taquari. Nos demais municípios muitos agricultores plantavam o arroz do sequeiro que praticamente desapareceu entre nós. O grande fornecedor de arroz hoje são os supermercados em fim o comércio. O produtor de arroz não andava satisfeito com a política agrícola do setor. Há dez anos vem diminuindo a área plantada, principalmente para a soja, ou abandonando para pastagens. Vinha recebendo muitas vezes abaixo do custo de produção (R$52,00). No início do ano ganhou R$55,00 pela saca de arroz, mas a maioria recebeu na safra R$45,00. E agora anda em R$103,00 ao redor de 114% de aumento no ano. Um alento aos produtores para próxima safra que está sendo definida. Claro sobrou para o consumidor.

No Brasil, dados da ABIARROZ, são 1100 indústrias processadoras de arroz e 40 exportadoras. No RS são 25 mil produtores em 200 municípios. A produtividade média 7500 kg por hectare (150 sacos), lembro que o saco de arroz com casca é 50kg. Em condições médias rende descascado 35 kg por saca.

Mas onde está este arroz? Com o produtor muito pouco,algum de maior porte pode ter alguma coisa em estoque. Está entre o atravessador e o mercado. E alei da oferta e procura não falha. Tivemos problemas climáticos nos últimos dois anos, diminuição da produção e para agravar o dólar alto favorece a exportação. A pandemia aumentou o consumo. E pergunto onde está o estoque regulador que é usado para procurar equilibrar os preços? Muito baixo e garante um pouco mais de um mês de consumo.

A tarifa de importação foi zerada e virá arroz importado, que representou 10% em média do consumo em anos anteriores. Mas a produção do Mercosul também teve problemas climáticos. Virá da Ásia e a que valor? E o produtor brasileiro vai ver seu produto mais uma vez desvalorizado.

Nosso consumo despencou de cerca de 50 kg por habitante ano para 34 kg pesquisa da ABIARROZ. As massas, pães, bolachas e farinhas ocuparam parte deste espaço. A quem recomende substituir por batata, batata doce e outros? Duvido. Quem consome em média 10 kg (R$40,00) de arroz por mês pouco mais de “um real” por dia. Caro? Compare com outros produtos e bebidas etc.

O mais indicado para consumo é o integral apenas descascado não passando pelo processo de polimento. Mantendo assim boa parte de minerais e vitaminas e ainda rico em fibras.
Em termos de indicação para consumo vem em seguida o parboilizado integral e depois o parboilizado. Este arroz com casca é mergulhado em água quente por algumas horas e absorve água. Com isto grande parte de vitaminas e minerais penetra nos grãos. Ainda úmido é submetido à temperatura alta com vapor e ocorre um processo de gelatinização fixando desta forma as vitaminas e minerais no grão. Segue para secagem, descascamento e embalagem. E o arroz branco o mais consumido no país com algumas restrições alimentares por ser polido e perder parte das vitaminas e minerais. Mas, ainda um alimento a ser considerado.

E quem não se lembra de alguns famosos: galinhada, carreteiro, arroz doce, água de arroz, com linguiça, risotos, a jardineira, a grega, forno, e o mais consumido do brasileiro arroz e feijão. Este pelo seu preço prato fino. Além disto o arroz quebrado serve de ração animal, fabricação de cerveja, farelo, óleo, pasta de arroz, vinagre, biscoitos, macarrão, farinha, amido, etanol e a casca combustível quando queimada.

E pelo preço que esta não jogar fora restinhos de arroz aproveite o que for possível.
DICA: Como congelar arroz cozido.

Colocar em potes plásticos a porção de consumo para uma vez. Se for apenas à geladeira dura três dias e congelada três meses. No pote plástico entre o arroz e a tampa coloque papel laminado para evitar a cristalização da água. Para o uso retire o papel laminado e espalhe uma colher de sopa de água e leve para o micro-ondas entre 1 e 3 minutos. Retire e de uma mexida e retorne ao micro para mais 1 a 3 minutos dependendo da porção.

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Por favor, coloque o seu nome aqui