Árvores da primavera

Confira o comentário do engenheiro agrônomo Nilo Cortez


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Foto: Divulgação

Dia 22 inicia a primavera, mês das flores, do dia das árvores, entrada da reprodução da maioria dos animais, em fim o reinício da vida depois do inverno.

Os meios de comunicação, entidades, escolas e outros fazem menção a proteção da área ambiental e da importância das árvores. Se ouve planos, projetos, promessas, dados estatísticos plantam-se árvores e por aí vai. Cá entre nós como dizem hoje “FAKE”, pano de fumaça, propaganda muitas vezes enganosa.

Quem procura instituições sérias que atuam na área ambiental e referenciadas podem ter os dados mais aproximados da realidade.

A tecnologia moderna com satélites, radares, estações meteorológicas, que aliás temos poucas na região. Os dados coletados com tempo para ter as estatísticas trabalhados nos dão previsões mais seguras. As médias históricas precisam ter 30 anos para serem comparadas.

A disponibilidade dos dados pela tecnologia da Informática se tornou popular e se consegue acompanhar até pelo celular. Mesmo reconhecendo que em alguns locais o sinal não chega, mas a cobertura melhora a cada ano. Há sites especializados e empresas disponibilizando informações. Ainda sendo divulgadas pelos meios de comunicações. A rádio continua sendo a mais espontânea e disponível para o dia de trabalho. Na atividade que permite , no carro, rádio pendurado no galpão se está sempre ouvindo.

O quem acompanha sabe que cada vez mais perdemos espaço ocupado pela mata natural no RS. O Bioma Mata Atlântica que representava 52% da área do RS, onde nosso Vale está incluído, temos hoje 7,5% e todo fragmentado. O restante Bioma Pampa sendo ocupado severamente pelo cultivo de lavouras. Ainda somos o 8° estado em desmatamento. Em 2020 batemos o recorde de queimadas com aumento de 266% em relação a 2019. O INPE- Instituto Nacional de Pesquisa Nacional (1961), órgão do Ministério de Ciência Tecnologia e Inovação mostra que de janeiro a setembro já identificou 2027 queimadas no estado.

Outra informação interessante. O IGP- Instituto Geral de Perícia do RS há cerca de 16 anos faz perícia ambiental. Levantamento inédito mostra que o RS perdeu 16,3 milhões de reais com 158 há desmatados baseados em laudos em 50 municípios. O desmatamento irregular é um crime ambiental e o IGP participa das avaliações estabelecendo a fiança e multas. E a maior parte na Mata Atlântica.

A MapBiomas,é uma rede colaborativa privada que tem dados de todo o Brasil desde 1985 como: agricultura, pastagens, áreas urbanas, água disponível e outras. É formada por ONGs, Universidades, empresas privadas e de tecnologia e acompanham os Biomas brasileiros. Os últimos mostram que o RS tinha 60% das áreas naturais, ainda não usada pelo homem, baixou para 50%. Os outros 50% já são áreas que tem interferência da ação humana: cidades, estradas, agricultura, pecuária, parques industriais…

O cadastro Florestal, uma política do estado, tem registrado 800.000 ha de florestas plantadas como atividade comercial. Predomina eucalipto 95%, acácia-negra e pinus. O plantio de nativas não tenho informação mas deve ser muito pouco. Mesmo aqui em Lajeado deve sair muita pouca mudas do Jardim Botânico. Acredito que a demanda da secretaria da agricultura é maior por corte de árvores.

E continua a velha briga com árvores nas calçadas. Para uns motivos de reclamações que só suja, estraga a calçada, atrapalha a frente do comércio, ruim para quem passa e tantos outras. Para outros deixa mais bonita a frente, a sombra permite o estacionamento do carro, a temperatura é mais agradável, atrai pássaros e insetos, pode ser de frutas, e tantas outras. Outros gritam acaloradamente contra cortes e até com certa razão.

Isto que até entendo que alguns casos é preciso ser feito pelo estado da árvore ou o local que foi plantada. Vejo também que outros gritam contra o desmatamento da Amazônia e não tem uma árvore em casa. Extremismo não leva a nada. Precisamos chegar a um bom senso e manter Lajeado como um município arborizado e de bem com a natureza.
Enquanto isto “salve a árvore” e não só o seu dia.

Por Nilo Cortez

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