“As empresas estão bem, mas a economia ainda não está bem”, afirma consultor

Eloni Salvi analisa os impactos da alta na Taxa Selic e alerta que a economia brasileira não tem dinamicidade


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Foto: Tiago Silva

Nesta segunda-feira (13), no Redação no Ar, o economista, consultor de empresas e professor universitário Eloni Salvi analisou os impactos da elevação da taxa Selic em 1,5 ponto percentual na última quarta-feira (8), variação que levou a taxa básica de juros de 7,75% para 9,25%.

Conforme o especialista, o aumento foi uma medida adotada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) para conter os efeitos da inflação no país, que alcançou a marca de 10,74% no acumulado de 12 meses até novembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira (10).

Salvi observa que essas movimentações refletem uma alta generalizada de todos os tipos de produtos porque houve um desajuste nas cadeias de abastecimento mundiais, e no caso do Brasil, as empresas também aproveitaram para recuperar algumas margens que estavam apertadas. O economista recorda que o país vinha de recessão nos últimos anos.

A alta da Selic tem dois efeitos imediatos: a perda do poder de compra do consumidor, que penaliza principalmente as pessoas com menor renda. Essa medida do BC é utilizada para tentar limitar os preços, pontua o economista. Porém, Salvi entende que não é a mais indicada economicamente. “O que é mais recomendado é incentivar a produção, o preço se acalma e a pressão inflacionária diminui”, avalia.

Apesar disso, no Brasil, com a economia fraca e deficiente, impossibilitado de incentivar a produção, opta-se por desestimular o consumo: compra menos, sobra mais produtos no mercado e os preços recuam. O consultor percebe uma perspectiva de redução da inflação no final do ano e início de 2022, com as medidas do BC.

“O cenário ainda não é muito favorável”, comenta. Apesar disso, o economista vê que as empresas conseguiram se firmar. Ele cita que as companhias listadas na Bolsa de Valores de São Paulo reportaram lucros maiores que em anos anteriores. “O número de empresas que fecharam as portas neste ano e em 2020 foi menor que em 2019”, compara. “As empresas foram muito bem, obrigado. A maioria nunca vendeu tanto”, sustenta. Quem sofreu mais foram as que atuam em segmentos como áreas de viagens, entretenimento e lazer, bem como aquelas que não se adaptaram às mudanças.

Empresas do Vale do Taquari, de áreas como alimentos, móveis, eletrodomésticos e confecções, “não foram mal”, comenta Salvi. “Elas se ajustam. Elas têm mais capacidade de se ajustar do que as pessoas. As pessoas têm mais dificuldades de ajustar o orçamento e eliminar algum custo”, entende.

Neste cenário. Eloni Salvi afirma que “as empresas estão bem, mas a economia ainda não está bem”. O consultor lembra que 50% das exportações do Brasil são de commodities, sem muito valor agregado. “A nossa indústria não tem dinamicidade. Não temos muitas alternativas. Por isso a nossa economia não tem dinâmica”, lamenta.

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

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