As vacinas ainda não aprovadas que a China já distribui para centenas de milhares de pessoas

OMS prevê, sob regras rígidas, distribuição de vacinas ainda em estudo durante emergências de saúde; mas especialistas apontam ser crucial que imunizantes sejam distribuídos somente quando todas as fases dos estudos forem concluídas.


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Centenas de pessoas fazem filas na cidade chinesa de Yiwu para receber vacinas em caráter emergencial (Foto: BBC)

Autoridades na China já distribuíram centenas de milhares de doses de vacinas contra a Covid-19 para a população nos últimos meses. A iniciativa em caráter emergencial inclui três imunizantes chineses que ainda estão em fase de testes, como o da Sinovac, que será fabricado pelo Instituto Butantan, em São Paulo.

Mas se a segurança e a eficácia dessas vacinas ainda não foram confirmadas, como a China passou a distribuí-las? As pessoas que as recebem sabem dos riscos envolvidos?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê, sob regras rígidas, a distribuição de vacinas ainda em estudo durante emergências de saúde pública como a pandemia de Covid-19. Mas especialistas apontam que é crucial que vacinas sejam distribuídas somente quando todas as fases dos estudos forem concluídas, e os resultados forem analisados por autoridades nacionais e internacionais, dados os riscos envolvidos.

Enquanto isso, há cada vez mais sinais de que a China tem distribuído vacinas muito além dos chamados grupos de alto risco de contraírem a doença.

Aprovação emergencial

Iniciada em julho, a distribuição chinesa tem sido ampliada aos poucos e pode dar pistas sobre como deve ocorrer o escalonamento dos grupos de profissionais prioritários a serem vacinados no Brasil, algo que só deve acontecer no país depois da conclusão de todas as fases de testes e das análises das autoridades competentes.

A OMS tem uma série de requisitos e regras para o uso de medicamentos e vacinas ainda não aprovados durante uma emergência de saúde pública, a exemplo da pandemia de Covid-19.

No caso da aprovação emergencial de uma vacina, além da análise dos dados de segurança e eficácia das primeiras fases dos estudos com voluntários, as autoridades cobram que ela se adeque às regras de boas práticas de produção e que sejam monitorados eventuais efeitos adversos, entre outros pontos.

Cada país tem autonomia para adotar seus próprios critérios para usos emergenciais. Até agora, apenas Rússia, China e Emirados Árabes Unidos — que têm em comum as acusações de terem governos autoritários — implementaram medidas do tipo para vacinas contra a Covid-19. A Indonésia planeja algo semelhante para novembro.

De olho na eleição em novembro, o presidente americano, Donald Trump, tem pressionado órgãos públicos do país pela aprovação de uso emergencial de uma vacina, como ocorreu no país com remédios contra a Covid-19. Mas autoridades públicas de saúde dos EUA têm rejeitado a possibilidade de pular etapas e têm dito que uma aprovação só deve ocorrer em 2021.

A distribuição na China não foi aprovada pela própria OMS, mas o país asiático afirma que sua estratégia está em linha com as exigências da organização.

Formulários de consentimento dos riscos

O governo central chinês deu início ao programa em 22 de julho, permitindo que imunizantes ainda em fase de testes sejam distribuídos para grupos com risco alto de contraírem a doença.

Segundo Zheng Zhongwei, chefe da força-tarefa chinesa de desenvolvimento de vacina contra a Covid-19 e integrante da Comissão Nacional de Saúde, o país traçou e aprovou um plano que inclui medidas para garantir que as vacinas distribuídas sejam reguladas e monitoradas.

“(O programa inclui) formulários de consentimento médico, planos de monitoramento de efeitos colaterais, planos de resgate, planos de compensação, para garantir que o uso de emergência seja bem regulado e monitorado”, disse Zheng à China Central Television (CCTV).

Fonte: G1

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