Assinar aditivo contratual com a Corsan é um “cheque em branco”, afirma presidente do Sindiágua/RS

Arilson Wünsch afirma que o Governo do Estado quer tornar a companhia mais atrativa para viabilizar a sua privatização


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Foto: Divulgação

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e Serviços de Esgoto do RS (Sindiágua/RS), Arilson Wünsch, o Governo do RS está pressionando os municípios para que assinem um aditivo contratual com a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) até 16 de dezembro para deixar a estatal em melhores condições comerciais para a sua privatização.

O leilão está previsto para ocorrer em fevereiro de 2022. Até esta quinta-feira (2), pelo menos 13 municípios — a maioria deles de menor porte — já aderiram a um aditivo com a companhia. Segundo Wünsch, o governo Eduardo Leite busca a adesão de cidades maiores para que a privatização seja mais atrativa para o mercado financeiro.


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O novo Marco Legal do Saneamento determina que todos os contratos em vigor sejam aditivados até março de 2022 para que contemplem as metas de universalização do acesso à água potável e esgoto tratado até 2033. “Se não tiver essas metas, tem que aditivar”, explica o presidente do Sindiágua/RS.

No entendimento dele, o governo quer adiantar essa revisão contratual e, para isso, tenta seduzir os prefeitos e lideranças locais com promessas de recursos para obras variadas, e maior retorno financeiro aos municípios na forma de outorga. Na mesa está uma oferta de 10% na venda das ações da Corsan se o contrato for assinado até 16 de dezembro.

Santa Cruz do Sul, porém, não aceitou. Outras regiões como a das Missões e Parobé também não aceitaram a proposta. Lajeado encaminhou a discussão para a Câmara de Vereadores. Para Wünsch, é o caminho correto a ser feito. “É muito delicado o momento que estamos vivendo, e tem que ser amplamente discutido com a sociedade”, defende.

O presidente do Sindiágua/RS alerta para o risco de se estender a concessão do saneamento básico para uma empresa que ninguém sabe quem é. Ele diz isso por não saber qual companhia privada assumirá as operações da Corsan a partir de 2022, se o processo de privatização ocorrer como o governo gaúcho deseja. Wünsch afirma que o aditivo, agora, é “um cheque em branco”. “Tem várias coisas nesse aditivo, menos a comprovação da capacidade econômico-financeira da nova concessionária”, alerta.

Para o sindicalista, “a Corsan não precisa de privatização; ela precisa de gestão”.

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