Associação regional reforça sugestão para volta das aulas pelo Ensino Superior

Estado projeta retorno pela Educação Infantil. Proposta é da Associação dos Secretários Municipais de Educação do Vale do Taquari (Asmevat).


0
Encontro teve secretários de forma presencial e virtual (Foto: Natalia Ribeiro)

Habilitado pelo governo do Rio Grande do Sul para a volta das aulas presenciais desde a terça-feira (8), o Vale do Taquari ainda não tem registros de retomada, seja na rede pública ou na privada. Diante da complexidade do tema secretários municipais de educação estiveram reunidos em Paverama, na tarde desta quarta-feira (9). Alguns foram até a prefeitura, onde o encontro ocorreu, e outros participaram pela internet.


ouça a reportagem

 


 

O endereço foi escolhido pois a presidente da Associação dos Secretários Municipais de Educação do Vale do Taquari (Asmevat), Rosicler Flach, é a secretária de Educação de Paverama. Desde que o governo do Estado divulgou o cronograma de volta às aulas, em 2 de setembro, os municípios vivem momentos de tensão. Há quem defenda e quem discorde da proposta, em especial por conta do público contemplado. O Piratini quer primeiro os alunos de 0 a 3 anos, da Educação Infantil.

A entidade faz uma pesquisa junto aos municípios para saber a opinião regional a respeito da temática. Vinte dos 36 associados já responderam aos questionamentos. Sete querem voltar pela Educação Infantil, mas em outubro; cinco pelo Ensino Superior; quatro no mês de outubro, caso novidades no cronograma sejam anunciadas pelo Estado; dois pela Educação Infantil, sem data projetada; e dois apenas em 2021. O estudo deve ser finalizado na próxima semana.

Os municípios têm autonomia para decidir, contudo, a posição da Asmevat é para a volta pelo Ensino Superior. A presidente explica que “a faixa etária de 0 a 3 anos nos preocupa muito, não somente nas questões relativas à pandemia e aos protocolos com as crianças pequenas, mas também pelo envolvimento dos profissionais. Nós, enquanto gestores, somos responsáveis pelos profissionais também”. Rosicler acredita que os pequenos possam ter dificuldades para cumprir o distanciamento. No calendário da entidade os pequenos não têm previsão de volta em 2020.

Para a rede particular o olhar é distinto, segundo ela, já que há possibilidades diferentes se comparadas com o que o ensino público pode ofertar. Entre elas estão a gama de profissionais, a possibilidade de contratação e a oferta de testes, por exemplo. “Eles têm possibilidade de monitoramento mais efetivo de seu público”, acrescenta a presidente da Asmevat. Outro fator levado em consideração é o transporte, já que esses alunos, em sua maioria, não fariam uso dos ônibus escolares.

Protocolos sanitários

O Estado determinou que as linhas sejam higienizadas após receberem os estudantes, o que, conforme estimativas das prefeituras da região, pode fazer com que cada ônibus leve cerca de três horas para voltar a ficar disponível. As salas também precisarão de limpezas constantes e de separação entre os alunos. Westfália passou a atender, na semana passada, a estudantes com dificuldade de acesso à internet. Cerca de 10% dos matriculados. Segundo a secretária municipal de Educação, Elisangela Wiethölter, a capacidade de atendimento nas salas já foi atingida com a medida.

O protocolo de retorno ainda coloca que até 50% dos alunos inscritos poderão ser recebidos. As prefeituras questionam com quais critérios escolher os estudantes. Elas fazem pesquisas com os pais e responsáveis para conhecerem quem tem interesse em voltar. Se a volta for confirmada, a tendência é que as aulas virtuais sejam suspensas e que as tarefas de quem ficar em casa tenham de ser retiradas nos colégios.

Outra preocupação é a economia. Pais estariam apreensivos pelo fato de precisarem trabalhar, mas de não terem com quem deixar os filhos. “Estamos procurando ter um olhar para cada situação. Bom Retiro do Sul traz a questão econômica e nós sabemos como a economia foi prejudicada pela pandemia”, reconhece Rosicler. Bom Retiro do Sul, por exemplo, vai se reunir com o Ministério Público para discutir o retorno.

Para a presidente da Asmevat o atual momento, mesmo que repleto de dificuldades, demostra a importância da educação. “Como tudo na vida tem um lado positivo acho que a pandemia vai mostrar para a sociedade e a população o quanto o professor é importante e o quanto a educação é um setor fundamnetal para o giro da sociedade”.

Anúncios na região

Arroio do Meio anunciou, nesta quarta-feira, que pretende retomar as aulas no dia 28 de outubro, em todas as redes de ensino. Os primeiros contemplados seriam os alunos finais do Fundamental e do Médio. Já Lajeado marcou a volta para 15 de setembro nas escolas particulares e 1º de outubro na rede muncipal, ambas pela Educação Infantil. No Rio Grande do Sul escolas da Serra voltaram na terça-feira.

Texto: Natalia Ribeiro
jornalismo@independente.com.br

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Por favor, coloque o seu nome aqui