Ataques de hackers ocorrem semanalmente a empresas no Vale do Taquari, revela engenheiro em cibersegurança

Falta de investimento em tecnologias de proteção facilita trabalho dos criminosos virtuais


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Nas ações, o hacker invade o sistema de informática das empresas e impede que os dados sejam acessados (Foto: Pixabay / Imagem Ilustrativa)

Uma nova modalidade de crime preocupa o empresariado do Vale do Taquari. Os ciberataques aos sistemas informatizados das organizações têm se tornado rotina na região. É o que comenta o Engenheiro em Cibersegurança Gerson Fell (28). “Estes casos são mais comuns do que imaginamos em todo o Brasil. Poucas abrem investigação e o caso acaba ficando internalizado nas empresas. Este tipo de invasão se tornou muito lucrativo para quem é cibercriminoso. Aqui na região, semanalmente temos registros de ataques bem sucedidos a pequenas, médias e grande empresas, até algumas vindo a perder seus dados, ou a realizar o pagamento aos criminosos para recuperá-los”, revela o engenheiro.

Nas ações, o hacker invade o sistema de informática das empresas e impede que os dados sejam acessados. O invasor exige um valor, normalmente em dinheiro, para devolver o acesso aos arquivos sequestrados. “Obviamente que para conseguir restabelecer a operação da empresa, é preciso ter uma estratégia de prevenção e outra para restabelecer a continuidade da operação da empresa. Hoje em dia, todas as empresas podem ser invadidas. É impossível manter 100% de segurança. Temos notícias de invasões a grandes organizações como o Tribunal de Justiça, Lojas Renner, Postos Ipiranga, Banco Unicred. Porém, com a tecnologia de hoje, é inaceitável perder estas informações. Por isso, que vem as estratégias do pós-invasão, para descobrir qual foi a brecha utilizada, se foi com a ajuda de um colaborador ou até mesmo uma vulnerabilidade do próprio sistema de empresa que foi explorada”, comenta o engenheiro.


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Para Gerson Fell, a alternativa ao alcance das empresas para diminuir as chances de sucesso em um ciberataque é investir em mecanismos de proteção. “O Brasil se torna um alvo cada fez maior para os hackers em função da falta de investimento em Tecnologia da Informação (TI). É preciso que as empresas façam mais de um backup (cópia de segurança), de todos os seus dados, por exemplo. Caso a empresa não tenha essas cópias de segurança, é possível que a vítima terá que pagar para reaver os dados. É importante buscar constantemente atualizações e tecnologias de segurança novas. Os hackers acabam utilizando este deságio das empresas a seu favor”, argumenta.

O que fazer no caso de um ciberataque?

Caso a empresa perceba que está sob ciberataque, a recomendação do engenheiro é cortar todos os acessos á rede. “O primeiro ato é tirar todos os equipamentos da tomada e desligar a internet. Depois, é preciso analisar o total impacto da invasão na estrutura e começar a criar uma política de retorno do funcionamento da empresa. Isso depende de cada negócios. Uns tem prioridade na venda, outros na produção. Também é bem importante analisar as perdas”, recomenda Gerson Fell.

Ciberataques no Vale do Taquari

Na quinta-feira, dia 5 de maio, em um dos raros casos que foram registrados na Delegacia de Polícia, uma empresa do Bairro Campestre em Lajeado foi alvo de ciberataque. Porém, a ação rápida do engenheiro evitou que a organização tivesse que pagar pelo resgate dos dados. Mas nem sempre é assim. “Aqui na região, já ouvi casos de empresas que tiveram que pagar o restabelecimento de informações. Em Encantado, uma empresa teria pagado R$ 30 mil pelos dados. Em 2020, um indústria de Estrela teria pagado cerca de R$ 15 mil. Em poucos casos é aberta ocorrência para investigação criminal pela polícia. Isso é muito ruim, porque acabamos não tendo noção da frequência que este crime vem acontecendo no Vale do Taquari”, lamenta Fell.

Crime de difícil solução

O especialista em cibersegurança explica que os crimes virtuais são de difícil solução, uma vez que a identificação dos autores é praticamente impossível. “Praticamente impossível identificá-los. Hoje temos certeza de que as invasões vem de fora do país. Para solicitar informações a empresas que não possuem escritório no Brasil, demora cerca de 11 meses. Só que este pedido de informação ainda pode ser positivo ou negativo, e até lá, com certeza esta informação já foi apagada. A localização do ponto de origem é fácil conseguir. No caso da empresa invadida no Bairro Campestre em Lajeado, por exemplo, sabemos que o ataque veio dos Estados Unidos, mas isso não significa que o criminoso seja de lá. É possível até que ele seja brasileiro ou de qualquer outra região”, finaliza.

Texto: Luís Fernando Wagner
noticias@independente.com.br

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