Aulas no RS: “Tem que voltar o mais rápido possível, mas de acordo com a realidade de cada região”, afirma pediatra

“A gente está numa guerra, e ninguém sai de uma guerra sem cicatriz”, afirma José Paulo Ferreira, integrante da Sociedade de Pediatria do RS


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Médico pediatra José Paulo Ferreira (Foto: Divulgação)

O médico pediatra José Paulo Ferreira, integrante da Sociedade de Pediatria do RS, diz que a entidade é a favor do retorno das aulas o mais rápido possível, mas condiciona a volta às atividades presenciais à realidade do quadro hospitalar de cada região. As aulas no estado estão suspensas por uma liminar na Justiça de primeiro grau, concedida em 25 de fevereiro, e que até agora permanece em vigor, apesar dos recursos interpostos pelo Governo do Estado, negados nas instâncias superioras (um novo pedido no STF, encaminhado no começo deste mês de abril, ainda carece de resposta da Corte).


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Segundo Ferrreira, cada região age de uma maneira diferente do ponto de vista de necessidades de saúde. Por isso, defende que “as crianças voltem o mais rápido possível para as aulas, com condições sanitárias e de segurança para a criança e para os professores”. “Não adianta nada a criança voltar para as aulas em uma região com 110% ou 120% de lotação em UTIs, com as emergências lotadas e estar faltando medicação, e porventura alguma criança ou familiar precisar de atendimento e não ter porque a gente aumentou a circulação de pessoas”, pondera.

“A nossa campanha é, sim, voltar o mais rápido possível, assim que tivermos condições. Infelizmente, em bandeira preta, temos algum risco”, percebe.

O pediatra reconhece que as crianças e adolescentes em idade escolar estão perdendo com a proibição às atividades presenciais. “A gente está numa guerra, e ninguém sai de uma guerra sem cicatriz”, afirma. “Isso vai trazer algum tipo de dificuldade para que a gente recoloque naquele caminho que estavam trilhando antigamente”, observa.

Porem, Ferreira diz que “essa perda já está estabelecida”. “Nós vamos ter vai ter que tentar melhorar esses traumas de perda de socialização, de desenvolvendo em questões motoras e emocionais”, pontua.

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

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