Aumento de óbitos por Covid-19 e falta de medicação deixam Vale em alerta para a bandeira vermelha

Prefeitos da região discutem medidas para evitar piora no Distanciamento Controlado. Nova classificação será divulgada na sexta-feira (2).


0
Encontro virtual nesta quinta-feira(2) debateu o panorama da região na doença (Foto: Reprodução/Amvat)

O aumento de 700% no número de óbitos por Covid-19 no Vale do Taquari em uma semana, aliado à falta de medicação nas UTIs dos hospitais da região, fez com que prefeitos acendessem o alerta para o programa de Distanciamento Controlado do Rio Grande do Sul, que, dependendo dos resultados, pode colocar Lajeado e o Vale em bandeira vermelha. Se confirmada, a mudança impactaria no comércio regional.

Preocupados, os gestores municipais participaram de uma assembleia, através de videoconferência, na manhã desta quinta-feira (2). O encontro teve a organização da Associação dos Municípios do Vale do Taquari (Amvat) e contou, ainda, com a participação de secretários municipais de saúde e do diretor Executivo do Hospital Bruno Born, de Lajeado, Cristiano Dickel.

Na avaliação do presidente da Amvat e prefeito de Imigrante, Celson Kaplan, o ‘Lelo’, a região deve seguir na bandeira laranja na próxima semana, contudo, a classificação seguinte, a ser divulgada em 10 de julho, pode colocar os municípios na bandeira vermelha. “Penso que estamos ainda tranquilos nesta semana, mas com sinal de alerta ligado. É momento de fazer o dever de casa. Depois não adianta chorar”, fala.

Na semana do Distanciamento Controlado que encerrou em 25 de junho o Vale do Taquari teve 174 casos positivos da doença e um óbito. Já na posterior, com fechamento nesta quinta-feira, foram 187 casos e oito mortes provocadas pela doença. Os números mostram aumento de 13 infecções (7,4%) e sete falecimentos (700%).

Na avaliação da 16ª Coordenadoria Regional de Saúde (16ªCRS), que atende o Vale do Taquari, o crescimento dos óbitos não está ligado à expansão da doença ou a surtos, “mas consequências de um vírus que o sistema de saúde ainda não consegue controlar totalmente”, de acordo com o coordenador-ajunto da autarquia estadual, Ederson da Rocha. Em geral, as pessoas que faleceram nos últimos dias estavam “em UTIs e acabaram não resistindo ao agravamento da doença”, pontua ele.

Agora são 46 mortes pelo novo coronavírus no Vale do Taquari. Na quinta-feira passada, dia 25, eram 39 ocorrências. A letalidade aumentou de 1,3% para 1,4%. Os casos mais recentes são de Cruzeiro do Sul, que teve dois óbitos pela doença na semana em vigor (cinco no total); três em Teutônia (todos nesta semana); um em Lajeado (que totaliza 22); um em Estrela (que soma três); e um em Arvorezinha (o primeiro registrado no município).

Conforme o prefeito e presidente da Amvat, a situação foi alertada na quarta-feira (1º), pelo governo. “Tivemos um alerta feito ontem, pelo Estado, e estamos há vários dias acompanhando os números, os índices. Só para exemplificar. Na sexta (25) era em torno de 0.90. Na segunda (29) 1.03 e hoje (2/7), pela apresentação do Cristiano do HBB, se fosse pelos dados estaríamos com 1.33, quase na bandeira vermelha”.

Ainda segundo Lelo, casas de saúde da região têm falta de medicamentos. O Hospital Estrela estaria com restrições, “quase no limite”, e o de Encantado, Hospital Beneficente Santa Terezinha, também. Já o Hospital Bruno Born (HBB) teria estoque, contudo, estaria preocupado com o aumento dos preços das medicações para a UTI e com a dificuldade em conseguir as mercadorias disponíveis no mercado. “Não vamos ter leitos à disposição. Sem medicação não pode internar.”, destaca ele.

Encaminhamentos

Um ofício pedindo a colaboração em ações de fiscalização foi encaminhado a todos os municípios associados à Amvat. Entre as solicitações para a comunidade estão o reforço no uso de máscara, distanciamento social e isolamento dos grupos de risco. Os prefeitos enviaram para a Secretaria Estadual da Saúde um documento pedindo reforço e auxílio para a compra de medicamentos nos hospitais.

Em Lajeado, segundo a Prefeitura, vão ser repetidas as ações de fiscalização e restrição de circulação de pessoas, realizadas no último fim de semana. Entre elas estão: interdição de trecho da Rua Santos Filho, no entroncamento com a Rua João Abott, junto ao Parque Professor Theobaldo Dick; na Avenida Avelino Talini, entre as rótulas das avenidas Alberto Müller e Alberto Pasqualini; e da Avenida Piraí, entre a Avenida Senador Alberto Pasqualini e o Parque Piraí, no São Cristóvão. Haverá monitoramento em parques e espaços públicos no sábado (4) e domingo (5).

Apelo do governador

A preocupação com o atual momento da doença e a capacidade de atendimento dos hospitais também causa preocupação ao governador Eduardo Leite (PSDB), que foi às redes sociais, nesta quinta-feira, fazer um apelo para que a comunidade volte aos moldes do isolamento social, praticado em abril, no começo da pandemia.

No vídeo divulgado pela manhã, Leite pediu que a sociedade gaúcha evite fazer saídas desnecessárias. “Estamos entrando num período que poderá ser o mais duro da pandemia no Rio Grande do Sul, com a chegada do frio e a sobrecarga que ele provoca no nosso sistema de saúde. Nos próximos 15 dias fique em casa, lave as mãos e use máscara. Respeite os protocolos. Faça a sua parte”. Nesta quinta-feira o RS tinha 70,7% de ocupação nos leitos de UTI. O Vale do Taquari tem 53,8%.

Texto: Natalia Ribeiro
jornalismo@independente.com.br

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Por favor, coloque o seu nome aqui