Autorização para compra de escavadeira vira caso de polícia na Câmara de Vereadores de Fazenda Vilanova

Pressão de manifestantes e desacordo entre parlamentares acabou com a chegada de quatro viaturas da Brigada Militar, na sessão desta segunda-feira (7)


0
Foto: Reprodução / WhatsApp

A sessão da Câmara de Vereadores de Fazenda Vilanova, na noite da segunda-feira (7), virou caso de polícia. Tudo por causa de um projeto para a compra de um implemento agrícola, requerido pelo próprio legislativo à administração municipal. “Na semana passada entrou na Câmara o projeto 041, para compra de uma escavadeira hidráulica , que ajudaria nas obras e agricultura. Junto neste projeto, havia a compra de calcário e abertura de poços artesianos no interior. Quando começou a sessão, o presidente Paulo Délcio Souza (Republicanos), baixou o projeto para as comissões e não foi a votação. O prefeito Amarildo Luis da Silva (PDT) retirou o projeto e reenviou para ser votado em uma sessão extraordinária. Porém o presidente não convocou a sessão extra.

Na sessão da segunda-feira (7), cerca de 150 manifestantes foram à Câmara para pressionar pela aprovação do projeto, já que beneficiaria muitas pessoas. O clima esquentou e foi preciso chamar a Brigada Militar, mas não houve maiores problemas. A presença dos policiais foi o suficiente para acalmar os ânimos”, explica o vereador situacionista Léo Motta (PDT).


ouça a reportagem


Imbróglio regimental

Por outro lado, a matéria previa votação em sessão extraordinária, mas de acordo com Motta, devido à pressão da comunidade, o presidente da Câmara acabou colocando o texto na pauta. “O presidente deveria ter devolvido o projeto para prefeitura e reencaminhado para a sessão ordinária. Com o susto que o presidente tomou, ele pautou o projeto sem estar tramitando, na sessão da segunda-feira. Ele disse que não segue protocolo. Mas não é protocolo. É Lei Orgânica Municipal e Regimento Interno”, comenta.

Vereador situacionista Léo Motta (PDT) (Foto: Luís Fernando Wagner)

De acordo o vereador, o impasse não deve invalidar a votação e aprovação da matéria, que foi avalizada por cinco votos favoráveis ante quatro contrários.

Compra do equipamento foi assinada por todos os vereadores

A intenção de comprar a máquina foi assinada por todos os vereadores, inclusive os quatro que votaram contra o projeto. “Todos os nove vereador assinaram uma indicação do vereador Marcos Roberto Codécio requerimento encaminhado para a prefeitura, sugerindo a compra da escavadeira, inclusive os cinco da bancada de oposição. Mas na hora da votação, quatro deles foram contra. Isso é interesse político. A Câmara vem aprovando várias coisas que a população quer e ela está contente. A compra do equipamento, calcário e perfuração de poços, resolveria muitos problemas e ajudaria muita gente, e isso poderia beneficiar politicamente administração, por isso votaram contra”, pondera Léo Motta.

O oposicionista lamenta os desdobramentos da sessão, mas encara com naturalidade a manifestação popular. “Lamento que isso tenha acontecido, mas é natural. A população não aceita mais as coisas de qualquer jeito e eu apoio as manifestações. Além do mais, o trabalho que a Brigada Militar fez foi excelente, e graças a ele, que compareceram na sessão com quatro viaturas, não houve maiores problemas. Desde que se tem notícia, foi a primeira fez que foi preciso chamar a Brigada Militar para garantir a segurança de uma sessão da Câmara de Vereadores de Fazenda Vilanova”, finaliza.

Votaram contra o projeto, o presidente da casa Pulo Délcio Souza (Republicanos); Sérgio Cenci Sobrinho (PP); Vacine Inez Drebes (PP), e João Batista Fernandes da Silva (PP), todos da bancada de oposição. O único oposicionista a votar a favor do texto, foi o autor da indicação para a compra da máquina, Marcos Roberto Codécio (PP).

Vereadora de oposição alega que não é momento de investir no equipamento

A vereadora de oposição que votou contra o projeto, Vacine Inez Drebes (PP), justifica que o município tem outras prioridades e não é o momento de investir na compra do equipamento. “Assinei a indicação porque sim, queremos a compra da escavadeira. Votamos contra o projeto porque virão R$ 200 mil de emenda parlamentar, e R$ 387 mil dos cofres públicos. Agora não é o momento de fazer um investimento desses. Fazenda Vilanova tem prioridades de investimentos em habitação, saúde, educação. Já fui secretária de Agricultura na gestão passada e conheço as necessidades do setor. Mas esta retroescavadeira vai ser usada na saibreira e na pavimentação asfáltica. Não vai ter nem tempo de trabalhar para os agricultores. Não adiante ter uma ou dez escavadeiras. Alguém sempre vai ficar de fora. Não é só isso, depois de ser comprada a escavadeira, tem que comprar uma prancha, botar mais um operador e mais um motorista. Isso são mais custos. Qualquer projeto que entrar na Câmara, a vereadora Vanice vai sempre discutir, não vou votar assim, de mão beijada”, esclarece.

Já o presidente da Câmara de Vereadores de Fazenda Vilanova, Paulo Délcio de Souza (Republicanos), disse que só vai se manifestar após avaliar as colocações do opositor, Léo Motta (PDT), na entrevista concedida ao programa Panorama, na manhã desta quarta-feira (9).

Texto: Luís Fernando Wagner
noticias@independente.com.br

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Por favor, coloque o seu nome aqui