Aves na noite de Natal, 400 anos de tradição

O médico e gourmet Marcos Frank fala sobre a tradição das aves natalinas e apresenta uma deliciosa receita de Chester com batatas; confira.


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Foto: Divulgação / Ilustrativa

O Natal é uma das épocas mais aguardadas do ano, em que as pessoas renovam o espírito de solidariedade e aproveitam para saborear os tradicionais pratos do mês de dezembro.
Mas afinal, de onde vem o costume de comer algumas aves no Natal?

O hábito de comer peru no Natal surgiu em Massachusetts (EUA), no ano de 1621, quando a ave foi servida no Dia de Ação de Graças. Por ser mais barata e engordar facilmente, foi levada pelos espanhóis para a Europa no século XVI, tornando-se símbolo de alimento das grandes ocasiões. Em nosso país, o peru é apreciado desde a época colonial.


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Já o chester é o nome dado ao frango melhorado geneticamente através de cruzamentos da ave com as características desejadas pelo mercado. Possui menor teor de gordura, maior taxa de proteínas e 70% de sua carne concentrada no peito e coxas.

A história do Chester iniciou em 1979 quando um executivo da Perdigão, Saul Brandalise Jr., criou uma alternativa para o peru de Natal da concorrente da época, Sadia.

O especialista enviou aos EUA dois técnicos, que voltaram com 11 linhagens de uma galinha escocesa. Em sua busca, encontraram uma empresa que trabalhava suas aves com o objetivo de melhorar o resultado das carnes e que havia desenvolvido uma ave tipo roaster, com maior quantidade de carnes nobres. Procedeu-se, então, à compra destas aves que permitiria introduzir a criação no Brasil.

Elas foram direto para a avícola Passo da Felicidade, em Tangará, no interior catarinense. A granja ficava no meio de uma reserva de araucárias, protegendo as aves de contaminação e garantindo sigilo.

Em 1982, após três anos de desenvolvimento, surgiu no mercado o Chester. A marca registrada vem do inglês chest, que significa “peito”. Anos depois, apareceu o Fiesta, o superfrango da Sadia.

Primeiramente, o Chester tem 60 cm e pesa 4 kg. Os machos são abatidos com 50 dias e as fêmeas com 35 dias. Apesar de ser fácil acha-lo para a ceia natalina, é difícil achar um ovo dele. Sua produção é controlada e a venda é proibida, para manter o bicho exclusivo da marca.

Em contrapartida, o peru tem 60 cm e pesa 4,3 kg. Ele é abatido em 12 semanas. Apesar de americano, em inglês, peru é turkey – de turkey hen, “galinha turca”. Na Turquia, é “galinha da Índia”. Ave inca para os lusitanos, virou “peru” em português. Por fim, no Peru, ele se chama pavo.

A produção do Chester Perdigão tem início nos meses de fevereiro e março para chegar à mesa dos consumidores no Natal – é tanta preparação que algumas unidades da BRF são destinadas especialmente para criação do animal. Além disso, todo o ambiente é controlado para garantir as condições adequadas para o desenvolvimento da ave nas suas várias etapas de vida.

Há muita especulação em torno da utilização de hormônios e anabolizantes para acelerar o desenvolvimento de animais, principalmente o Chester Perdigão, que é uma ave grande e com muita carne. Porém, não passam de teorias sem fundamento, pois é proibido por lei administrar hormônios.

 

Chester com batatas

Ingredientes:
1 Chester Pedigão descongelado
2 xícaras (chá) de suco de frutas cítricas (laranja, limão, maracujá ou abacaxi)
Ervas frescas a gosto (salsinha, cebolinha, tomilho, orégano, alecrim, entre outros)
– Especiarias a gosto (páprica, açafrão, cominho, curry, entre outros)
Elementos aromáticos a gosto (cebola, alho, cenoura, salsão, alho-poró, gengibre, entre outros)
4 colheres (sopa) de Manteiga
Cenouras descascadas e cortadas em rodelas a gosto (opcional)
Batatas bolinha a gosto (opcional)
1 colher (sobremesa) de amido (opcional)

Modo de Preparo:

Pré-aqueça o forno a 250°C por 20 minutos; Retire o saquinho com os miúdos de dentro do chester; Em um refratário, tempere o chester com o suco de frutas, as ervas, as especiarias e os elementos aromáticos; esfregue o tempero por toda a ave, dentro e fora da cavidade e deixe mainar na geladeira pelo tempo que tiver disponível. O mais indicado para que a carne absorva mais os sabores, é deixar de um dia para o outro; Com as mãos ou com a ajuda de uma espátula, desgrude a pele da carne do peito delicadamente, de forma a não romper a pele.

Coloque 2 colheres de sopa de Manteiga dentro da pele (entre pele e carne);mEspalhe mais 2 colheres de sopa de Manteiga pelo exterior da ave, peito, sobrecoxas e coxas; Leve para assar em forno a 250°C por aproximadamente 20 minutos (sem papel-alumínio);

Marcos Frank, médico e gourmet

Retire a assadeira do forno e cubra-a com papel-alumínio; volte a assadeira ao forno e asse conforme o tempo indicado para o peso da ave indicado na tabela da embalagem; Na hora final do tempo de forno, retire o papel alumínio e se desejar, adicione rodelas de cenoura e as batatas bolinha; regue o chester com os líquidos da assadeira a cada 30 minutos e deixe terminar de assar;

Após retirar a ave do forno, reserve a carne em outro recipiente, adicione um pouco de água à assadeira (aproximadamente 1 xícara de chá) e leve ao fogo até que o líquido engrosse e se forme um molho; Caso queira um molho ainda mais espesso, adicione 1 colher (sobremesa) de amido de milho. Sirva o molho preparado com seu Chester.

Marcos Frank, médico e gourmet. Confira as receitas na página do Instagram: @hungryp@2020!

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