Violência contra as mulheres nunca começa com agressões, afirma advogada

Cândida Arend ressalta que a violência inclui também a psicológica, moral e patrimonial. Para ela, a Lei Maria da Penha trouxe maior conhecimento sobre os direitos das mulheres


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Advogada Cândida Arend (Foto: Tiago Silva)

A advogada Cândida Arend abordou o tema violência doméstica em entrevista no programa Troca de Ideias desta segunda-feira (19). Conforme ela, “a Lei Maria da Penha trouxe um conhecimento maior para as mulheres sobre seus direitos”.

“Hoje elas conhecem, sabem que ser agredida não está certo — não só fisicamente, mas sexual, moral, psicológica e patrimonial. A mulher consegue visualizar os seus direitos, e isso encoraja para denunciar e buscar uma rede de apoio”, analisa.


ouça a entrevista

 


A profissional do Direito destaca que a violência doméstica é ciclo. “A agressão nunca começa com uma agressão direta de espancamento. Ela vai começando com pequenas pinceladas de atitudes. Primeiro com uma roupa que não pode usar, com um ciúme excessivo. Depois um xingamento com palavras de baixo calão que humilham e desvalorizam a mulher, e isso vai evoluindo para uma agressão física, até que temos o ápice do feminicídio.

De acordo com Cândida, o direito penal, a punição, é o último estágio. Ela defende um trabalho no aspecto cultural para mudar o pensamento social. “A solução para o problema primeiro é a educação, ter em mente que violência gera violência”, pontua. “É uma questão muito cultural e de educação. Todos os dias a gente vai se dando conta que tem situações que estamos em situação de vulnerabilidade”, lamenta.

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

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