Baixo nível do Rio Taquari em Colinas mostra marcas históricas da estiagem na região

Registros foram feitos em pedras, sendo um dos primeiros em 1943, por Rodolfo Bünecker. Outros foram feitos depois, sendo em 2005 por Samuel Weber


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Muitas escritas foram marcadas nas pedras e eternizam as estiagens às margens do rio em Colinas (Foto: Gabriela Hautrive)

Nas margens do Rio Taquari, há cerca de 500m do acesso ao rio, na localidade conhecida como “prainha do Taquari Colinas”, caminhando pelas pedras é possível localizar registros históricos das estiagens que já afetaram a região, devido a escritas feitas em pedras. Com auxílio do morador Paulo Ricardo Schafer Farias, que reside há 33 anos no local, a reportagem da Rádio Independente chegou até o local na manhã desta terça-feira (11). A escrita com maior visibilidade é a de 1943 feita por Rodolfo Bünecker, mas também é possível visualizar uma marca ainda mais antiga, que está coberta pela água, feita em 1932.


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Técnico em agropecuária e biólogo, Samuel Weber (Foto: Gabriela Hautrive)

Outros registros, de 1985, 2005 e mais recentes de 2012 e 2020, também estão visíveis no local. O de 2005, atualmente ainda coberto por um pouco de água, foi feito pelo técnico em agropecuária e biólogo, que atua como técnico agrícola na Secretaria de Agricultura de Estrela, Samuel Weber.

Ele, que agora tem 41 anos e fez o registro aos 25, conta que desde pequeno sempre foi ligado ao Rio Taquari. “A gente fazia pinique, ia tomar banho e nesse período de estiagem, um amigo meu sempre falava que o vô dele havia feito marcas na rocha, no basalto ali na ‘furada’, como a gente chamava”, conta.

Naquele período, trabalhando na Prefeitura de Colinas, e acompanhando os impactos da estiagem para agricultura, o biólogo resolveu deixar sua marca também. “Três dias seguidos, peguei um martelo e uma talhadeira. Me lembro como se fosse ontem, pedi para o meu vô e ele disse: ‘mas não perde teu tempo’”, recorda. Na pedra, Weber escreveu a data do registro no ano de 2005, além das iniciais do seu nome. “A dificuldade foi porque é basalto, rocha dura, porque se fosse arenito era mais fácil, mas o basalto conserva por anos também”, explica. Além do lado triste da história que é a estiagem e afeta muitos produtores do Vale do Taquari, Weber conta que é uma forma de valorizar o rio.

Entre os registros, o mais visível é o de 1943 (Foto: Gabriela Hautrive)

“Nossa riqueza maior que temos no Vale, anos atrás nas proximidades existia um cortume e na época tinha muita poluição e graças a controles ambientais isso não existe mais, então acho que o principal ponto é a valorização do nosso Rio Taquari”. Também existe uma preocupação quanto ao que virá após a estiagem, já que em 1943 e 2020, após as secas, aconteceram enchentes históricas na região. Sendo que a de 2020 foi a maior nos últimos 64 anos,  quando o nível do Rio Taquari chegou a marca de 27,39 metros no Porto de Estrela. “Os dois extremos, a estiagem e depois vem a chuva toda de vez, e em períodos mais chuvosos essa é a tendência, com chuvas torrenciais essas águas que vão para o rio, consequentemente causando as cheias”, pondera Weber.

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Texto: Gabriela Hautrive
reportagem@independente.com.br

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