Bilhões de dólares do BC afegão estão fora do alcance do Talibã

Comunicado financeiro mais recente mostra que o Banco Central do país detém cerca de US$ 10 bi em ativos totais (incluindo US$ 1,3 bi em ouro e US$ 363 milhões em reservas cambiais)


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Afegãos esperam horas para tentar sacar dinheiro em frente a um banco em Cabul, em 15 de agosto de 2021, no dia em que o Talibã entrou na capital do Afeganistão e assumiu o poder (Foto: Rahmat Gul/AP)

O Talibã assumiu o controle do Afeganistão com velocidade surpreendente, mas parece improvável que o o grupo extremista tenha acesso rápido à maioria dos ativos do Banco Central do país.

O comunicado financeiro mais recente mostra que o Banco Central afegão detém cerca de US$ 10 bilhões em ativos (mais de R$ 50 bilhões na cotação atual), segundo a agência de notícias Reuters.

O valor inclui US$ 1,3 bilhão (R$ 6,8 bilhões) em reservas de ouro e US$ 363 milhões (R$ 1,9 bilhão) em reservas cambiais, com base na cotação de 21 de junho (data do relatório).

O presidente em exercício do BC do Afeganistão, Ajmal Ahmady, diz que as reservas totais do país eram de US$ 9 bilhões na semana passada. No fim de abril, elas somavam US$ 9,4 bilhões segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Ahmady, que fugiu do país no domingo (15), afirmou nesta quarta-feira (18) que a maioria dos ativos é mantida fora do Afeganistão.

“Dado que o Talibã ainda está nas listas de sanções internacionais, espera-se que tais ativos sejam congelados e não estejam acessíveis a eles”, escreveu a autoridade monetária em uma rede social.

“Podemos dizer que os fundos acessíveis ao Talibã são talvez 0,1% a 0,2% do total das reservas internacionais do Afeganistão. Não muito”, afirmou Ahmady.

Reação internacional

Na segunda-feira (16), uma fonte do governo Joe Biden afirmou à agência de notícias France Presse que os talibãs não terão acesso às reservas monetárias do BC afegão mantidas em contas nos Estados Unidos.

Na terça-feira (17), o governo alemão anunciou a suspensão da ajuda financeira ao Afeganistão, que é uma fonte crucial de financiamento para o país.

Só o Banco Mundial tem mais de 20 projetos de desenvolvimento em andamento no país e forneceu US$ 5,3 bilhões, desde maio de 2002, principalmente em doações.

“O Afeganistão depende enormemente da ajuda externa”, afirmou Vanda Felbab-Brown, especialista em política externa do The Brookings Institution, à France Presse.

Felbab-Brown ponderou que “o acesso a fundos econômicos internacionais será crucial” e cortá-los terá “enormes consequências humanitárias e consequências para o desenvolvimento humano e econômico” do país.

Fonte: G1

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