Boas palavras podem ser um aconchego diante de tantas fragilidades humanas

com Dirce Becker Delwing.


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Foto: Divulgação / Ilustrativa

Em meio a essa pandemia, onde tantas inquietudes pairam no ar, as nossas manifestações faladas ou escritas devem ser despidas de qualquer adereço agressivo ou ofensivo. Mais do que nunca, é tempo de usar as melhores palavras que habitam o nosso vocabulário. Em alguma medida, todos estamos fragilizados e precisamos de expressões que nos lembrem de que o respeito prevalece nas nossas relações.

Nesse sentido, no final de semana, lendo discussões nas redes sociais, lembrei que meu pai sempre repetia, para meu mano e para mim, um antigo dito popular: Quem diz o que quer, ouve o que não quer. Fazia isso quando um de nós dava uma de super sincero e o outro revidava na mesma proporção. Ele pretendia nos ensinar que, se desejamos manifestar a nossa opinião sobre determinado assunto, também devemos acolher o pensamento do nosso interlocutor, mesmo quando ele for contrário ao nosso. E, que, ao apontar pontos negativos no outro, também devemos saber ouvir o que ele tem a dizer a nosso respeito.

A questão é que a sinceridade com amigos, parceiros e familiares pode ser positiva quando promove um ambiente honesto, de crescimento mútuo. Isso se as pessoas têm maturidade para lidar bem com críticas e, também, elogios. No entanto, no ambiente de trabalho ou em espaços públicos, inclusive nas redes sociais, a sinceridade, ou dizer o que você pensa pode custar um preço alto. O poeta português Fernando Pessoa dizia: “Custa tanto ser sincero quando se é inteligente! É como ser honesto quando se é ambicioso”. Acredito que ele desejava dizer que é bem mais fácil fazer vistas grossas para as coisas das quais discordamos, do que quando emitimos o nosso parecer mais genuíno. Porém, a omissão poderia fazer de nós criaturas que em nada contribuem para a mudança ou melhoria das coisas.

Pensando assim, tem seu valor aquele que se banca quando entende que está com a razão, quem suporta uma discussão pública, quem tem coragem para ser odiado, ou mesmo temido porque argumenta com propriedade. Refiro-me à pessoa que defende seu ponto de vista com a devida fundamentação, sendo ela, de fato, grandiosa quando também reconhece seus equívocos, ou quando é capaz de mudar de posicionamento se for o caso. De qualquer maneira, numa manifestação ou mesmo discussão, independendo do contexto, o maior desafio é saber usar as palavras adequadas. Elas sim, essas danadas, podem nos colocar na maior encrenca, ou nos conduzir à mais elevada glória.

 


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