Bolsonaro afirma que está com covid-19


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Foto: Dida Sampaio/Estadão

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que contraiu o novo coronavírus. O resultado foi anunciado por ele nesta terça-feira, 7, em entrevista a jornalistas de TVs no Palácio da Alvorada. O exame para detectar a covid-19 havia sido feito no dia anterior. “O fato de eu ter sido contaminado mostra que eu sou um ser humano como outro qualquer”, disse o presidente, que chegou a tirar a máscara enquanto falava com os repórteres. Ele não chegou a mostrar o exame.

O presidente, que tem 65 anos e faz parte do grupo de risco da doença, disse estar se sentindo bem após apresentar febre de 38ºC no dia anterior. “Baixou (a temperatura) para 36.7 ºC. Estou bem, estou normal. Em comparação a ontem, estou ótimo. Estou até com vontade de ar uma caminhada”, disse o presidente. Ele disse que pretende continuar trabalhando da residência oficial. “Vou ficar despachando por videoconferência. E assinar alguns papeis aqui.”

Na entrevista, o presidente afirmou que já iniciou o tratamento com hidroxicloroquina, medicamento que não tem eficácia comprovada contra a doença. “A hidroxicloroquina, na fase inicial, a chance de sucesso é 100%”, afirmou Bolsonaro. Segundo ele, o fato de não estar sofrendo com os sintomas da doença se deve ao uso precoce do medicamento.

Na noite de segunda, Bolsonaro fez um exame dos pulmões, no Hospital das Forças Armadas, e também se submeteu ao teste para covid-19. “Tá tudo limpo”, afirmou a apoiadores. Mesmo com a suspeita de estar com a doença, ele se aproximou das pessoas e tirou fotos com quem estava em frente ao Palácio da Alvorada. O presidente usava máscara e disse que não podia ter contato muito próximo.

Assessores do presidente também fizeram exames, porém, se submeteram a testes rápidos, imprecisos para detectar a covid-19. Foi o caso dos ministros Braga Netto (Casa Civil), Jorge Oliveira (Secretaria-Geral da Presidência) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo). O teste rápido detecta a presença de anticorpos para o vírus no sangue que só são identificáveis a partir do sétimo dia do surgimento dos sintomas da infecção.

O presidente, que já chamou a doença de “gripezinha” e disse ser resistente por ter “histórico de atleta”, já havia realizado três testes para detectar a covid-19. Os exames foram feitos em março, após Bolsonaro voltar de viagem oficial aos Estados Unidos, onde se encontrou com o presidente Donald Trump. Pelo menos 23 pessoas da comitiva brasileira foram diagnosticadas pela doença.

Na ocasião, Bolsonaro anunciou que os resultados foram negativo, mas se recusou a mostrar os exames. Os documentos foram divulgados depois de o Estadão entrar com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF), para obrigar que informação fosse divulgada para a sociedade brasileira em nome do interesse público em torno da saúde do presidente.

Até segunda-feira, 6, o Brasil registrou 1.626.071 casos e 65.556 mortes pelo novo coronavírus, de acordo com dados do consórcio composto pelo Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL.

Presidente se reuniu com seis ministros na segunda-feira
Segundo a agenda oficial, o presidente esteve com seis ministros e um secretário especial na segunda-feira, 6. Alguns assessores, como os ministros Jorge Oliveira (Secretaria-Geral) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), também realizaram o exame e despacharam no Palácio do Planalto nesta terça-feira. Bolsonaro tinha uma audiência agendada com Ramos no Palácio do Planalto, às 15 horas.

As reuniões na segunda-feira foram com Paulo Guedes (Economia), Braga Netto (Casa Civil), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Jorge Oliveira (Secretaria-Geral) e Levi Mello (Advocacia-Geral da União). A última agenda ocorreu às 16h40 com o secretário especial de Cultura, Mário Frias.

O líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL- GO), também se reuniu com Bolsonaro, mas em um encontro reservado fora da agenda. O parlamentar aguardava os resultados do exame do presidente para se submeter a um teste. Major Vitor Hugo e Bolsonaro almoçaram juntos no Palácio do Planalto em um encontro fora da agenda. O parlamentar entrou na lista de cotados para o Ministério da Educação.

No sábado, 4, Bolsonaro foi à residência do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Todd Chapman, com ministros e o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente da República. Ele não usou máscara e se confraternizou com abraços, de acordo com imagens divulgadas pela Presidência da República. Na sexta-feira, 3 houve um almoço no Palácio da Alvorada com ministros e empresários – também com apertos de mão, abraços e sem máscara.

Fonte: Estadão

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