Brasil só aproveita um terço do seu parque gerador hidrelétrico, afirma diretor da Certel Energia

“O Brasil tem um terço das suas hidrelétricas construídas. Nós deveríamos estar construindo hidrelétricas”, defende Julio Salecker


0
Usina de Itaipu (Foto: Pixabay)

O diretor de geração, mercado e comercialização da Certel Energia, Julio Salecker, analisou o momento do setor elétrico brasileiro, que vive a maior crise em mais de nove décadas. Em função disso, o gestor defende um uso racional e responsável da energia no país. Conforme ele, para amenizar o problema atual, com o custo de energia mais elevado aos consumidores, seria necessário grandes volumes de chuvas para encher os reservatórios.


ouça a entrevista

 


Salecker explica que o Brasil é um país de dimensões continentais, totalmente interligado eletricamente. “A gente vê com muita tristeza alguns falando mal de hidrelétrica, porque isso é a nossa vocação. A vocação do Brasil é fazer hidrelétrica, porque nós temos grandes rios em um território continental, com grandes regimes de chuvas e muita corredeira, muita queda d’água, que acaba virando hidrelétrica”, detalha.

“O Brasil tem um terço das suas hidrelétricas construídas. Nós deveríamos estar construindo hidrelétricas”, lamenta. “Só aproveitamos um terço desses pontos. Nós podemos ainda fazer dois terços do nosso parque gerador hidrelétrico”, aponta ele, que lamenta que os grandes barramentos pararam de ser construídos no Brasil após a década de 1970.

“Dali para adiante não fizemos quase num barramento novo. Imagina o crescimento do consumo de energia da década de 1970 para cá. Tínhamos que ter seguido fazendo grandes barramentos para termos o pulmão de energia”, avalia o diretor.

Diretor de geração, mercado e comercialização da Certel Energia, Julio Salecker (Foto: Tiago Silva)

“Energia barata é a energia hidrelétrica”, destaca Salecker. “Nós temos que construir novos lagos de regularização, novos lagos grandes. Temos que rever a política e fazermos lagos grandes, porque isso é um patrimônio da nação”, acredita.

“Temos a agenda azul, que trata da água, e a agenda verde, que trata do meio ambiente. E o meio ambiente começou a ditar as regras contra grandes barramentos, e também tivemos governos federais que aceitaram a agenda verde e reduziram grandes barramentos”, recorda.

O diretor da Certel Energia conta que, entre 1996 e 1998, houve uma desverticalização do setor elétrico. Até então, o sistema era essencialmente constituído por empresas públicas. Antes ainda, tinha planejamento central elaborado pela Eletrobrás. A mudança separou o serviço público de disponibilização das redes da comercialização de energia, que é um produto. Segundo a leitura de Salecker, “foi uma quebra de paradigma que ainda não foi bem entendido” no país.

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Por favor, coloque o seu nome aqui