Cada pessoa deve viver a pandemia como uma experiência de transformação humana

com Dirce Becker Delwing.


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Foto: Divulgação

Minha mãe, volta e meia, repetia frases prontas que, bem possível, ouviu da sua mãe. Algumas eram permeadas por uma conotação machista de que a mulher seria a grande responsável pela harmonia da família. Bem sabemos que compete ao casal a manutenção de um ambiente saudável, porque, como ela também dizia, quando um não quer, dois não brigam. Mas, dentro dessa ideia de que a esposa deveria receber bem seu marido no final do dia, que ele deveria gostar de voltar para o lar, há uma questão interessante e muito sábia, se estendermos ela a todas as pessoas que convivem numa casa.

A pergunta que cada um deve se fazer é: como é conviver comigo? Sou uma companhia agradável? Ou sou aquela pessoa que, onde estou, sempre deixo o momento desconfortável? Puxo assuntos que chateiam, reclamo de tudo, crio atritos, relembro antigas mágoas? Faço críticas que poderiam ser ditas de outra forma e, quem sabe, numa outra oportunidade. Especialmente neste momento, onde as famílias precisam se tornar um time, independendo do perfil que sempre tiveram, é muito importante se fazer esta pergunta: Como eu faço o outro se sentir quando ele está perto de mim? O que suscito no outro? Seus anjos ou seus demônios?

Cada integrante da família tem responsabilidade de ajudar a manter esse período o mais harmonioso possível e, inclusive, que juntos possam viver esse tempo como uma experiência de transformação humana.

Nesse sentido, li um artigo de uma pesquisadora, Aisha Ahmad – professora na Universidade de Toronto, no Canadá, onde ela diz que, mesmo que a crise do coronavírus seja contida dentro de alguns meses, o legado dessa pandemia vai viver conosco por anos, talvez décadas. Isso vai mudar o modo como nos movemos, como construímos, como aprendemos e nos conectamos. Que essa tragédia nos faça derrubar todas as nossas suposições falhas e nos dê coragem para ter novas ideias. Nesse sentido, também as famílias conseguem criar diferentes formas de se relacionar. E, que podem, inclusive, ser mais interessantes do que eram antes, ou agregar vivências novas ao contexto que já existia.


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