Capivara encontrada na área urbana de Lajeado poderia estar procurando alimento devido à estiagem

Bióloga Daniele Müller diz que animal se alimenta com vegetação rasteira e o baixo nível do rio pode ter levado a sair do local. Outra hipótese é que tenha se perdido do bando


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Capivara foi encontrada na noite desta quinta-feira (13) no Bairro São Cristóvão (Foto: Luís Felipe Amorin)

Além de afetar a população, e principalmente os produtores rurais, a falta de chuva interfere também na vida dos animais. O baixo nível do Rio Taquari pode ter sido o motivo que levou uma capivara para área urbana de Lajeado na noite desta quinta-feira (13). O animal silvestre foi resgatado na Rua Fábio Brito de Azambuja no Bairro São Cristóvão por volta das 21h, pelo Corpo de Bombeiros. Conforme a bióloga e funcionária do Jardim Botânico de Lajeado, Daniele Müller, o animal vem do Rio Taquari e pode ter ido para o bairro em busca de alimentação. “Ela se alimenta principalmente de grama, capim e grãos, que são sementes dessas plantas, e estamos com muitos dias sem chuva, perto do Rio Taquari pode estar sem bióloga e funcionária do Jardim Botânico de Lajeado, Daniele Müller, alimento para ela, como tem o arroio, ela vai seguindo e procurando em outros lugares”, explica.


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Outra possibilidade, é de que a capivara tenha se perdido do bando. “Os cachorros costumam perseguir esses animais por extinto, então ela pode ter sido separada do bando e entrado para dentro do Arroio Engenho, e por ser canalizado, talvez ela não conseguiu sair em algum outro ponto, então ela foi seguindo o arroio até onde conseguiu sair, porque ali onde ela foi localizada tem uma abertura”, pondera.

Bióloga e funcionária do Jardim Botânico de Lajeado, Daniele Müller (Foto: Gabriela Hautrive)

Se essa hipótese for confirmada, outros animais da mesma espécie, ou até mesmo de outras, podem aparecer em áreas urbanas da cidade, conforme a bióloga. “Como não tem nenhum orvalho muitas vezes no período da manhã, que muitas animais se alimentam, por exemplo, cobras e lagartos, quando você tem um pote para o cachorro na rua ou piscina, esses animais podem se aproximar para ter uma fonte de água”, explica. Após conseguir a água, a tendência é que o animal fique no local para procurar o que comer também.

Outra questão abordada por Daniele é o caso dos urubus na área central da cidade que ficam em cima dos prédios. “O urubu procura sempre árvores grandes na mata com lugares ocos para fazer os ninhos, e os prédios altos com churrasqueiras em cima, são característicos e muito ideais para eles fazerem os ninhos”, completa. Diante disso, depois que fazem o ninho, ficam por um bom tempo no local pelo fato do filhote demorar cerca de três meses para aprender a voar. “A presença deles no centro da cidade é muito característica em áreas urbanizadas, pois como não tem árvores de porte grande, eles procuram um lugar e a gente cria o ambiente semelhante com aquele que ele encontraria na natureza”, explica.

Segundo a bióloga, se a população encontrar um animal que esteja machucado, a indicação é para que entre em contato com a Secretaria do Meio Ambiente que derá as instruções necessárias, e se for preciso, irá recolher o animal. Caso seja uma espécie exótica, será preciso verificar o porque dele estar em determinado local, sendo cada caso analisado de uma forma. No caso da capivara, ela estava saudável e sem ferimentos, mesmo assim, foi entregue para secretaria que posteriormente soltou ela às margens do Rio Forqueta.

Texto: Gabriela Hautrive
reportagem@independente.com.br

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