Cartas aos filhos testemunham que Freud tinha muita tolerância com tudo o que é humano

É interessante ver como o pai da psicanálise se relacionava afetuosamente com seus primogênitos


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Foto: Divulgação

O livro “Sigmund Freud – Cartas aos filhos” é constituído de correspondências que Freud escreveu para seus filhos, no período de 1907 a 1939. É interessante ver como o pai da psicanálise se relacionava afetuosamente com seus primogênitos. Só para relembrar, Sigmund Freud viveu de 1856 a 1939. Era médico neurologista e foi ele quem trouxe um novo olhar para o nosso psiquismo, mostrando que temos uma dimensão inconsciente que se manifesta junto com a nossa consciência. Para Freud, as vivências infantis moldam a nossa estrutura psíquica, deixando marcas que interferem no funcionamento da vida adulta.

O livro do qual falo contém as cartas endereçadas para seus cinco filhos: Mathilde, Martin, Oliver, Ernst e Sophie. Faltam as cartas escritas à filha mais nova Anna, que estão publicadas em outra obra. Ao ler os textos, percebe-se duas grandes preocupações desse pai: a situação de saúde dos filhos e questões relacionadas a dinheiro.

O que chama a atenção é que Freud não se furtava de apoiar financeiramente seus filhos nos tempos de aperto financeiro ou quando as despesas com tratamento de saúde superavam as condições econômicas. Com muita delicadeza, alcançava os recursos para que os filhos não se sentissem constrangidos. Contudo, a postura de Freud não se evidenciava apenas nos momentos de emergência material, mas também nos de crises psicológicas. É possível ver o esforço constante de Freud por dar apoio aos seus filhos, erguê-los em caso de necessidade e ancorá-los na solidariedade da família.

Outra questão que a gente pode perceber é o empenho de Freud para manter uma boa comunicação familiar. Ele não poupava detalhes para fazer uma combinação, ou para explicar algo que desejava dizer. Freud mantinha os filhos a par das últimas notícias da família e queria que eles também o mantivessem informado sobre eles.

Bem possível, essas correspondências tenham sido escritas a próprio punho. Diferente de hoje, à época, não havia o recurso de deletar, copiar e colar, a possibilidade de gravar um áudio, ou um vídeo. Parece contraditório, hoje temos tantos recursos de comunicação, mas falamos as coisas pela metade, não conversamos com nossos familiares. Explicamos detalhes para os outros e deixamos de informar as pessoas da nossa casa. Quantas estranhezas acontecem por falta de conversa, ou por falta de atenção às conversas.

Por Dirce Becker Delwing, jornalista, psicóloga e psicanalista clínica

 

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