Chapas avaliam acionar Justiça contra resultado das eleições do DCE da Univates

Dois grupos cogitam a possibilidade de buscar a judicialização do pleito. A Chapa 4 foi eleita na sexta-feira (29), com quase 53% dos votos válidos.

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Diretório Central de Estudantes (DCE) da Univates está localizado no Prédio 9 da instituição (Foto: Natalia Ribeiro)

Foram cinco dias de votação em três pontos da Univates para escolher a nova composição do Diretório Central de Estudantes (DCE) em 2020. O pleito realizado na semana passada foi marcado por recursos, impugnação e multa. Agora, duas chapas cogitam a possibilidade de buscar a Justiça para reverter o resultado, que deu a vitória para a Chapa 4 – Atitude Transparente – com 349 dos 606 votos válidos, ou seja, 52,8%. A vencedora chegou a ter a candidatura suspensa durante a eleição.


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Procuradas pela reportagem do Grupo Independente, duas das três equipes derrotadas disseram que avaliam a possibilidade de tentar reverter o resultado das eleições. O presidente da Chapa 1, Guilherme Engster, revelou que “estamos analisando”. Já o presidente da Chapa 3, Enzo Santana, colocou que “primeiro vamos nos reunir com o grupo para depois ver com as outras chapas”. Os motivos para o suposto acionamento da Justiça nas eleições do DCE da Univates não foram informados. Líderes de ambas as equipes preferem avaliar o quadro internamente e depois repassar a decisão.

O único a descartar a judicialização foi o presidente da Chapa 2, Lucas Vieira – a segunda colocada no pleito, com 124 votos. “Desconheço essa informação. A Chapa 2 não vai recorrer em nenhuma instância”, garantiu. Dos cerca de seis mil alunos aptos a votar, 660 participaram do pleito realizado entre os dias 25 e 29 de outubro.

Os estudantes da Univates em dia com as contribuições do DCE tiveram direito a dois votos, sendo um para a chapa e outro para o Conselho Fiscal. Além da Chapa 4 foram escolhidos os seguintes nomes para o Conselho Fiscal: Júlia Batista do Amaral (97 votos), Mariana Goulart Wermann (91) e Carolin Pereira Barbieri (81). Outros três ficaram na suplência: Guilherme Schneider (74), Jardel Cauê de Andrade (45) e Marlon Fabrício Santos Pinheiro (29). Mateus Paini recebeu 26 votos. Nesse caso a maior fatia dos participantes optou pelo voto em branco, totalizando 217 escolhas.

O transcorrer do pleito

Durante o período eleitoral a comissão responsável recebeu cinco pedidos de recurso. Um deles culminou na impugnação provisória da Chapa 4, que durou de quarta (27) a sexta-feira (29). No pedido de avaliação à Comissão Eleitoral, as demais chapas alegavam que a 4 praticava “irregularidades referentes à fixação de propagandas em lugares não pertinentes, bem como a utilização de adesivos diversos, a fim de beneficiar e impulsionar a campanha eleitoral a seu favor”.

Presidente da Comissão Eleitoral, Renan Dutra Soares explica os procedimentos adotados a partir do recebimento da denúncia. “Foi dado um prazo de 24 horas para a Chapa 4 reverter a denúncia. Com esses fatos a decisão inicial da Comissão Eleitoral foi pela impugnação da chapa, a pena máxima do regimento eleitoral de 2019”.

Como ocorre em todo o pleito, a denunciada teve prazo para apresentar sua defesa e recorrer do parecer de impugnação. No texto o grupo disse que “nunca negamos ter adesivos, mas esclarecemos novamente que quando a pessoa retira o adesivo, informamos e solicitamos que não os colem na instituição, entretanto, não temos controle dos atos das pessoas”. A decisão foi revista e o grupo voltou à concorrência. “De forma justa entendemos que todos tiveram o direito de votar”, pontua Soares.

A impugnação foi revertida em multa. O regimento das eleições orienta que o valor da penalidade vá de R$ 100 a R$ 1 mil, sendo o mais alto o escolhido para o caso. A Comissão Eleitoral pensou em “algo em prol da sociedade. Revertemos o valor da multa para uma campanha que é Todos pela Lívia Teles, da menina de Teutônia com AME”, conta Soares. O dinheiro foi arrecadado em menos de um dia pela vencedora, por meio de doações, de acordo com o presidente da 4, Bruno Cavalheiro. Outros R$ 400 levantados – totalizando R$ 1,4 mil – serão depositados. O restante já o foi.

O pleito foi encerrado às 21h30 de sexta, com o fechamento das urnas. A ouvidoria da Univates fez a contagem dos votos, registrados durante os cinco dias mediante a apresentação do código de aluno, senha e assinatura. A posse deve ocorrer nas primeiras duas semanas de dezembro. A duração do mandato é de um ano. Lucas Ahne é o atual presidente.

O novo presidente

Procurado pela reportagem por conta da suposta tentativa de outras equipes de judicializar o resultado, o presidente da Chapa 4, Bruno Cavalheiro, encaminhou um posicionamento representando toda a equipe. Confira abaixo:

“Estamos extremamente felizes com esse resultado. Mostra que a democracia prevalece, que os estudantes têm o direito de escolher quem os representa dentro do DCE. Baseamos nossa campanha em trazer propostas, levar informações sobre o nosso grupo ao conhecimento dos estudantes e evidenciar a nossa preparação para tomar frente da gestão do DCE em 2020. Evidentemente a nossa intenção foi bem sucedida e fica claro isso quando nos deparamos com a porcentagem de estudantes que depositaram em nós a sua confiança.

O processo eleitoral foi bastante cansativo. Percebemos que duas chapas estavam descontentes com o público que estávamos alcançando e com a intenção de informar aos estudantes das nossas propostas, contudo, lidamos com isso de maneira bastante tranquila, sem perder o nosso verdadeiro foco, que é falar sobre propostas, elencar nossas atitudes e manter firme nossa transparência, sendo assim, sempre respondemos com argumentações efetivas os recursos contra nós, bem como recorremos a uma possível impugnação, a qual temos certeza, caso confirmada, que seria injusta.


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Com a devida fundamentação comprovamos nosso direito de continuar no pleito e consequentemente sermos eleitos pela maioria absoluta dos estudantes que efetivaram seus votos. O que deixa ainda mais evidente a legitimidade de continuarmos no processo eleitoral, afinal, estávamos convictos que os estudantes concordavam com a gente.

Não conseguimos entrar em contato com todas as chapas, então não sabemos de seus posicionamentos, todavia, a chapa 2, a segunda colocada, parabenizou a nossa vitória e prontamente agradecemos profundamente esse ato, bem como nos disponibilizamos em marcar uma reunião para reunir esforços e trazer representatividade efetiva para dentro do DCE.

Ainda, a gestão atual do DCE, que estava em uma das chapas concorrentes, entrou em contato conosco para viabilizar a transição de gestão, bem como agendar a posse, que deve ocorrer até o dia 15 de dezembro. Entretanto, ainda não há data definida.

Por fim agradecemos novamente a todas e todos que votaram em nós e que depositaram sua confiança na chapa 4 e viram potencial em nossas propostas. Agora queremos montar e mostrar que o DCE pode mais. Para isso, contamos com o apoio dos diretórios acadêmicos, das atléticas e toda a comunidade universitária para efetivar ações de transparência e fazer uma gestão que agregue muito aos estudantes da Univates.

O DCE da Univates oferece aos estudantes uma série de benefícios e espaços, como sala de estudos, espaço de convivência, cozinha, sala de recreação, cópia e impressão de documentos, área de descanso, kit chimarrão, kit salva-vidas (com carregador de celular), achados e perdidos e desconto em parceiros e apresentações, entre outros.

Texto: Natalia Ribeiro / [email protected]

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