Chocolate, o alimento dos deuses

No Brasil, as sementes de cacau chegaram em 1746, trazidas por um francês


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Foto: Ilustrativa

Símbolo da Páscoa e um dos doces mais venerados no mundo, o chocolate tem origem nas regiões tropicais das Américas Central e do Sul. Segundo uma lenda asteca, Quetzalcoatl, deus da Lua, roubou da terra uma árvore de cacau — fruto que é a matéria-prima do chocolate – para presentear seus amigos homens com uma delícia dos deuses. Na época, o costume dos indígenas da região era produzir uma bebida escura feita com as sementes fermentadas do fruto do cacaueiro batizada de tchocolath (tchocol, de amargo, e ath, de água).


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O líquido foi levado à Europa por Fernando Cortez, espanhol responsável pela colonização do México. Ele ficara intrigado com a poção escura que os nativos bebiam e ofereciam aos deuses, porque ela dava a eles um vigor impressionante. “Uma taça da tal bebida permite aos homens caminhar um dia inteiro sem a necessidade de outros alimentos”, escreveu Cortez ao imperador Carlos V. A lenda e as propriedades do chocolate foram se difundido a ponto de influenciar o botânico sueco Carlos Linnaeus, que classificou o cacaueiro como theobroma cacao, do grego theo(deus) e broma (alimento).

A importância do fruto fez dele uma moeda de troca. Com dez favas (sementes) se comprava um coelho e com 100 favas, um escravo. As primeiras fábricas de chocolate foram abertas na Espanha e na França no fim do século 16, época em que o chocolate era feito apenas com cacau e açúcar. No entanto, em 1870, o chocolateiro suíço Daniel Peter, influenciado por seu conterrâneo, o químico Henri Nestlé, que inventara o leite condensado, resolveu juntar leite aos outros ingredientes da receita. Nascia assim o chocolate ao leite.

No Brasil, as sementes de cacau chegaram em 1746, trazidas por um francês que presentou Antônio Dias Ribeiro, um fazendeiro do Sul da Bahia, com algumas delas. O clima favoreceu o plantio e as lavouras cacaueiras prosperaram na região, que ficou conhecida pelos coronéis do cacau, fato que — inclusive — inspirou obras literárias do consagrado escritor Jorge Amado. A produção abundante levou os irmãos Neugebauer e o sócio Gerhardt, todos imigrantes alemães, a fundar a primeira fábrica de chocolate brasileira, em Porto Alegre, em 1891. Vinte e um anos depois, o cônsul suíço Achilles Izella lançou a pedra fundamental de outra marca nacional, a Lacta. Depois veio a Kopenhagen em 1928, a Garoto em 1929 e, em 1959, a suíça Nestlé começou a fabricar chocolates no Brasil.

O declínio das lavouras cacaueiras se deve à introdução criminosa (como ficou comprovado) da vassoura-de-bruxa, praga que dizimou as plantações. No entanto, em 2016 a cadeia do setor lançou um plano para dobrar a produção brasileira de cacau em 10 anos. “Somos o único País do mundo que produz cacau, processa a amêndoa, fabrica chocolate e tem mercado consumidor”, diz Eduardo Bastos, diretor-executivo da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC).

E ainda há espaço para crescer. “O brasileiro consome em média 2,5 quilos de chocolate por ano, enquanto o suíço, o austríaco e o alemão consomem um volume superior a 7 quilos por pessoa/ano”,

Já no fim dos anos 90, do outro lado do oceano apontava mais um rebuliço no mundo dos chocolates: o movimento bean to bar americano. John Scharffenberger e Robert Steinberg, da Scharffen Berger Chocolate, mostraram ao mundo que qualquer um poderia fabricar chocolate de maneira artesanal com os próprios grãos de cacau e poucos ingredientes.

Receita de mousse de chocolate assado com pimenta

Ingredientes

• 200 g de chocolate meio amargo picado
• 2 pimentas dedo de moça sem sementes e picadas (Se preferir um sabor mais acentuado use mais variações de pimenta: Tabasco, Jalapeño ou Caiena em pó)
• 150 g de manteiga sem sal em temperatura ambiente
• 7 gemas de ovos
• 150 g de açúcar
• 7 claras batidas em neve

Modo de preparo

• Numa panela coloque o chocolate meio amargo junto com a manteiga sem sal (em temperatura ambiente). Misture até ficar uma massa homogênea e reserve
• Numa batedeira coloque as gemas com o açúcar até formar um creme claro. Desligue a batedeira e acrescente o chocolate derretido (reservado acima), e misture bem. Delicadamente agregue as 7 claras batidas em neve e a pimenta. Distribua este creme num refratário quadrado untado (de 22 cm) e leve ao forno pré-aquecido a 180°C por 20 minutos.

Obs: O ideal é que asse levemente por fora e mantenha as características de mousse ainda cremoso. Sirva quente acompanhado com sorvete de morango!

Marcos Frank, médico e gourmet. Confira as receitas na página do Instagram: @hungryp@2020!

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