Chuva de maio de 2024 foi mais volumosa e intensa que a da cheia de 1941 na bacia do Guaíba, mostra estudo da UFRGS

No evento de 2024, a chuva acumulada atingiu 652 mm, enquanto em 1941 o acumulado foi de 592 mm


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Evolução da chuva acumulada média na bacia hidrográfica do rio Guaíba no período de 01 de abril a 15 de maio nos eventos de 1941 e 2024 (Arte: Reprodução)

Em nota técnica divulgada nesta sexta-feira (21), pesquisadores do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) confirmaram que a cheia de 2024 superou, em volume e intensidade de chuvas na bacia hidrográfica do Guaíba, a histórica enchente de 1941.

A análise revela que a precipitação ocorrida entre o final de abril e o início de maio deste ano foi expressiva, resultando na maior enchente da história do RS.

As medições mostram que, no evento de 2024, a chuva acumulada na bacia hidrográfica atingiu 652 mm, enquanto em 1941 o acumulado foi de 592 mm.

Mesmo com o sistema de proteção contra inundações construído na década de 1970, não foi possível evitar a entrada de água em Porto Alegre. Em função disso, a cheia de 2024 trouxe consequências ainda mais devastadoras na capital gaúcha e região metropolitana.

Distribuição espacial da chuva acumulada no período de 01 de abril a 08 de maio de 1941 (os pontos
correspondem aos pluviômetros utilizados)

Há 83 anos, a chuva efetiva começou em 12 de abril e seguiu até 5 de maio. Em 8 de maio, dia do pico da cheia, quando o Guaíba chegou a 4,76 metros no Cais Mauá, a chuva acumulada foi de 592 mm.

Já em 2024, a precipitação começou em 4 de abril, com forte incremento entre o final de abril e 3 de maio, atingindo 652 mm no dia 5 de maio, data em que a cota atingiu o nível de 5,35 metros em Porto Alegre.

Distribuição espacial da chuva acumulada no período de 01 de abril a 05 de maio de 2024 (os pontos
correspondem aos pluviômetros utilizados)

Além disso, a chuva de 2024 se destacou por sua concentração ao longo do tempo. Nos oito dias anteriores ao pico da cheia, o volume acumulado aumentou de 209 para 652 mm, um incremento de 444 mm em apenas 8 dias. Em comparação, em 1941, o maior incremento em 8 dias foi de 297 mm.

O estudo baseou-se em dados de precipitação observada em postos pluviométricos dos órgãos governamentais Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), ANA, Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e Serviço Geológico do Brasil (SGB).

A análise abrangeu o período de 1º de abril a 15 de maio de cada ano. Essa comparação entre os eventos é fundamental para o desenvolvimento de estratégias eficazes de prevenção e mitigação de desastres, destacaram os pesquisadores.

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