CIC-VT defende maior autonomia para prefeitos decidirem sobre medidas restritivas

Presidente da entidade, Ivandro da Rosa afirma que a primeira parada da economia foi precipitada e que, se empresas tiverem que fechar novamente, muitas acabarão demitindo funcionários.


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Presidente da CIC-VT, Ivandro da Rosa (Foto: Tiago Silva)

A Câmara de Indústria e Comércio do Vale do Taquari (CIC-VT) defende uma readequação no modelo de distanciamento controlado, elaborado pelo governo do Estado para conter a disseminação da Covid-19 no Rio Grande do Sul. Conforme o presidente da entidade, Ivandro da Rosa, a mudança deve privilegiar o contexto local de cada município. “É difícil você gerenciar 497 municípios na mesma balança”, percebe.


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“Não podemos imaginar que a medida necessária em Lajeado tem que ser a mesma de Forquetinha. São escalas diferentes. O governador, lá em Porto Alegre, não pode fazer um decreto para Lajeado e Forquetinha, mas ele pode dar autonomia para os prefeitos, entendendo que têm a capacidade, gerenciar”, argumenta.

Para Rosa, é preciso que os prefeitos tenham condições de gerenciar o contexto do isolamento e das medidas restritivas. “Não estamos contra o modelo, porque é o que nos parece que está dando resultado em termos de Brasil, que tem a melhor eficiência. Porém, como todo modelo, em certo ponto precisa ser aprimorado, dar um passo adiante”, opina. Dessa forma, o empresário defende que o sistema de bandeiras sejam um alerta, “mas não fechar atividades como comércio, confecções e calçados”.

O presidente da CIC pede um equilíbrio na adoção de medidas. Acredita que o primeiro fechamento, no começo da pandemia, foi precipitado, antes mesmo dos primeiros casos no RS. “Agora, já que a gente fechou lá atrás, não podemos radicalizar o fechamento. Porque entendemos que, com as devidas medidas de segurança, a gente pode manter a atividade mínima comercial. O que nos preocupa muito é que as pessoas não estão comprometidas com o isolamento e com as medidas”, analisa.

“Nos parece que a comunidade precisa compreender que todos estão sendo atacados por essa ameaça e que, para sair disso, cada um tem que dar um pouquinho uma cota de sacrifício”, pede. “As pessoas precisam ter tranquilidade de fazer as suas compras, tocar a sua rotina dentro de uma segurança e de um equilibro.”

Conforme analisa Ivandro Rosa, a suspensão das atividades econômicas aumenta a desigualdade social. Ele reforça que a primeira parada da economia foi precipitada. Naquele momento, as empresas deram férias e suspenderam contratos. “Se queimou muitos cartuchos para não demitir naquele momento. Hoje, se as empresas pararem novamente, muitas acabarão demitindo. E esse processo de demissões leva a pessoa a uma situação de extrema vulnerabilidade social.”

Texto: Tiago Silva
web@indepependente.com.br

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