Cientistas britânicos anunciam recorde de produção de energia por fusão nuclear

O processo pretende replicar o que acontece no coração do Sol e substituir a fissão nuclear como forma de geração de energia limpa e sustentável


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Foto: Reprodução / G1

Cientistas do Reino Unido anunciaram, nesta quarta-feira (9), que produziram uma quantidade recorde de energia por meio da fusão nuclear: 59 megajoules em cinco segundos (veja vídeo acima). A marca foi alcançada por cientistas do Joint European Torus (JET), próximo à cidade de Oxford.

A fusão nuclear pretende replicar o que acontece no coração do Sol: átomos de hidrogênio se unindo, em seu núcleo, para formar hélio. É esse processo que faz com que o Sol libere muita energia. Esse processo é diferente daquele usado nas usinas atuais — o de fissão nuclear, em que os núcleos dos átomos se dividem.

Em nota, a Autoridade de Energia Atômica do Reino Unido disse que os resultados eram “a demonstração mais clara em todo o mundo do potencial da energia de fusão para fornecer energia de baixo carbono segura e sustentável”.

O diretor da agência, Ian Chapman, afirmou que “está claro que devemos fazer mudanças significativas para lidar com os efeitos das mudanças climáticas, e a fusão oferece muito potencial. Estamos construindo o conhecimento e desenvolvendo a nova tecnologia necessária para fornecer uma fonte de energia sustentável e de baixo carbono que ajuda a proteger o planeta para as futuras gerações. Nosso mundo precisa da energia de fusão”.

Para seus defensores, a fusão nuclear é a “energia do futuro”, porque produz pouco resíduo e muito menos radioatividade quando comparada a uma planta convencional, que usa a fissão nuclear e tem risco de acidentes — como o de Chernobyl, em 1986, e o de Fukushima, em 2011.

Além disso, a fusão nuclear não gera gases de efeito estufa, e, diferente da fissão, não pode ser usada como arma.

Grande potencial

No núcleo solar, enormes pressões gravitacionais permitem que a fusão aconteça a temperaturas de cerca de 10 milhões de graus Celsius. Nas pressões que são possíveis na Terra — muito mais baixas —, as temperaturas para produzir a fusão precisam ser muito mais altas — acima de 100 milhões de graus Celsius, segundo reportagem da rede britânica BBC.

Como não existem materiais que possam resistir ao contato direto com esse calor, para conseguir a fusão em laboratório, os cientistas criaram uma solução na qual um gás superaquecido, ou plasma, é mantido dentro de um campo magnético em forma de rosquinha — em uma máquina chamada tokamak.

A fusão nuclear permite produzir milhões de vezes mais energia do que o carvão, o petróleo, ou o gás.

Os resultados anunciados nesta quarta-feira (9) demonstraram a possibilidade de gerar energia de fusão durante cinco segundos — o que ainda é insuficiente para viabilizar o processo.

“Mas, se você pode manter a fusão por cinco segundos, pode fazê-lo por cinco minutos e, depois, por cinco horas” com futuras máquinas mais potentes, argumentou Tony Donne, diretor do Programa Europeu de Fusão (EUROfusion, em inglês).

O JET, que anunciou o recorde nesta quarta, é o centro de pesquisa do programa: mais de 350 cientistas trabalham nele, em mais de 30 laboratórios da União Europeia, Suíça e Ucrânia.

No sul da França, está sendo construído outro reator de fusão, o Iter, mais avançado que o JET. Além da União Europeia, participam do projeto China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Rússia e Estados Unidos.

O projeto Iter, entretanto, é criticado por organizações de defesa do meio ambiente como a ONG Greenpeace, como uma “miragem científica” e “um buraco financeiro sem fundo”.

Fonte: G1

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