Clima, chuvas e o Vale

Dos últimos dez, cinco anos estão entre os mais quentes desde os acompanhamentos da temperatura.


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Foto: Divulgação

As condições climáticas favoráveis ou desfavoráveis sempre aconteceram de épocas em épocas. São fenômenos naturais ou frequência de desastres naturais, temporais, granizos, secas, enchentes, tempestades de neve e outros. Mas, o que vem acontecendo que estas frequências cada vez mais perto uma da outra. Principalmente nos aspectos de calor. O aquecimento global, mesmo não aceito por alguns, está por traz destes fenômenos. Há mudança no comportamento climático.


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Se olharmos nos últimos dez anos vamos ver que pelo menos, cinco anos estão entre os mais quentes desde os acompanhamentos da temperatura. O de 2016 foi o mais quente, em 2018 o quarto mais quente da história. Aqui no RS uso como orientação que de cada dez anos teremos três ótimos de condições climáticas e chuvas favoráveis a agricultura e pecuária. Dos outros sete, dois com secas atingindo todo o estado como a deste ano de 2012. Os outros cinco os problemas climáticos secos ou enchentes atingirão parte do estado. Ora mais ao Norte, outra no Sul, ou as vezes mais no centro causando problemas regionalizados.

Vamos pegar os dados de 2020 e para isto usar informações da UNIVATES de quantidade e dias de chuva. E média histórica do Climatempo. Mês, Chuvas mm, dias de chuva, média histórica.

Janeiro 215,4 15 139
Fevereiro 79 9 124
Março 21,8 4 99
Abril 39,6 8 128
Maio 14 – 121

A soma de chuva até agora 370 mm, isto representa 370 litros de água por metro quadrado. O esperado seria de 611 mm. Choveu 40% menos teoricamente. Reparem nos dias de chuva com exceção de janeiro que choveu mais que o esperado e foi surpresa. Poucos dias e pouca quantidade de chuva e ainda a baixa umidade do ar. Que esteve em alguns dias perto de 30% aumentando a “evapotranspiração” evaporação da água ficando menos para o solo e plantas. E uma sequência de dias de temperatura próxima de 40°C.

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O aproveitamento foi menor ainda e isto está representado nos rios, arroios e açudes. E para recuperar precisará de muita chuva e não concentrada. Primeiro precisa recuperar a umidade do solo. Cerca de 25% do solo é água, umidade. O lençol freático que forma as fontes, poços e vertentes precisam ser restabelecidas. O volume para estabelecer os rios e arroios é incalculável.

As previsões de chuvas é se normalizar a partir de agora nesta semana 25mm e 13 mm ótimo para molhar o solo e permitir trabalhar para os cultivos de inverno e só. Se o inverno for normal a recuperação irá para o final de ano.

O uso de água na região precisa ser revisto. A história se repete e os municípios com mais necessidade precisam ter uma política de reserva de água. As propriedades também precisam mapear e entender que a água é uma riqueza para ser melhor aproveitada. É investimento e não despesa. Cada um precisaria ter água reservada para culturas de sobrevivência e animais da propriedade, não é mais possível depender de caminhão pipa. E vale também para nossas pequenas cidades das partes mais altas do Vale.

Por Nilo Cortez

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