Clínica-Escola de Fisioterapia da Univates contribui para desenvolvimento de bebês por meio da estimulação precoce

Atendimentos ocorrem pelo SUS e integram a formação de estudantes


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Foto: Divulgação

No Brasil, pela Lei nº 13.585/2.017, de 21 a 27 de agosto acontece a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, que busca promover a inclusão social desse segmento populacional por meio de ações de conscientização da comunidade em geral. Na Univates, algumas ações contribuem para o atendimento e inclusão dessas pessoas.

Conveniada ao Sistema Único de Saúde (SUS), a Clínica-Escola de Fisioterapia da Univates atende pacientes de toda a região do Vale do Taquari. Uma das áreas de atuação é com pessoas com pessoas com deficiência, inclusive de bebês por meio dos atendimentos de estimulação precoce que favorecem o seu desenvolvimento psicomotor e melhoram a sua qualidade de vida.

Muitas vezes os atendimentos começam com poucos dias de vida. Foi assim que aconteceu com a serelepe Helena, de um ano e cinco meses, de Bom Retiro do Sul. Ela foi diagnosticada com Síndrome de Down e, com 35 dias de vida, fez sua primeira avaliação na Clínica-Escola de Fisioterapia da Univates. Conforme Camila Corrêa, mãe de Helena, a gestação da pequena foi tranquila, sem nenhum sinal de alteração. Ao nascer, Helena apresentava características físicas que podiam indicar a síndrome, o que foi confirmado com um exame genético do cariótipo. “O diagnóstico é um soco, não estamos preparados. Quando descobrimos, entrei em contato com uma diplomada em fisioterapia da Univates, pois sabia que aqui havia atendimento. Em poucos dias fizemos a avaliação, que foi um momento importante para a gente, pois havia profissionais nos dizendo que a Helena iria conseguir, que ela seria estimulada e seguiria em frente”, disse ela.

Com o início dos atendimentos veio também a pandemia por coronavírus, o que impossibilitou as atividades presenciais. O trabalho seguiu de forma remota, com teleatendimento para que Camila pudesse realizar os exercícios com Helena em casa. “Retornamos para as atividades presenciais assim que foi liberado e o desenvolvimento da Helena começou a deslanchar, ela foi alcançando os marcos de desenvolvimento. Além disso, ela tinha um contato social e a família foi incluída no processo, não era um momento apenas do terapeuta e dela. Isso foi muito bom, pois não houve aquele processo de separação e sempre foi respeitado o tempo dela e tudo ocorreu de forma lúdica. Muitas vezes ela nem quer ir embora”, acrescenta a mãe Camila.

Conforme a professora Magali Grave, o atendimento no espaço de saúde é globalizado. “Isso significa que precisamos entender, primeiro, que se trata de uma criança na sua integralidade, para só então olharmos para as suas necessidades relacionadas às ações terapêuticas. E, ainda assim, temos esse olhar individual e globalizado para as dimensões que envolvem o desenvolvimento da linguagem, da sua capacidade motora, cognitiva e afetiva de cada criança. Além dos estudantes que só aprendem tendo esta experiência real, fazemos um trabalho com participação dos pais, que são fundamentais para dar continuidade ao processo de estimulação em casa”, explica ela.

O trabalho da Clínica-Escola de Fisioterapia com estimulação precoce também tem contribuído para o desenvolvimento da pequena Alice, de quatro meses, que nasceu com uma malformação do tipo mielomeningocele. A professora Magali explica que o controle de cabeça é o primeiro marco motor. “Para a estimulação do controle cervical, o bebê é colocado de bruços. Na primeira semana, a Alice não tinha o controle de cabeça. Além do atendimento, orientamos a família. Na semana seguinte ela já tinha alcançado esse marco”, disse ela. A professora acrescenta que Alice já tem boa parte das habilidades de uma criança com a idade dela. “Essa foi a primeira aquisição para ela estabelecer outras habilidades, que facilitarão sua interação com o meio, a exploração dos objetos, a procura pela mãe nos momentos em que ela se sente desconfortável”, acrescenta.

A mãe de Alice, Maria Cristina da Rosa Rodrigues comenta que a experiência com a Clínica-Escola está sendo muito boa. “Sempre quis que a Alice se desenvolvesse e aqui isso tá acontecendo. Tem sido muito importante para ela e nós seguimos com as atividades em casa”, finaliza.

Saiba mais

A Clínica-Escola de Fisioterapia foi inaugurada no ano de 2007 e desde 2010 possui convênio com o SUS, o que possibilitou a ampliação dos atendimentos em fisioterapia e hidroterapia à comunidade.

Primeiramente é realizada triagem fisioterapêutica, para definir a área de reabilitação à qual o usuário se destina: ortopedia e traumatologia, neurologia adulto e infantil, estimulação precoce, cardiorrespiratória, dermatofuncional, ou perineal, voltando-se todas as áreas do serviço para a reabilitação físico-funcional de usuários que apresentam distúrbios do movimento. Após a triagem, os usuários passam por avaliação e então recebem os atendimentos fisioterapêuticos, hidroterapêuticos ou participam de grupos e oficinas interdisciplinares de prevenção de doenças, de promoção de saúde, de reabilitação e/ou de educação em saúde. Todas as atividades oferecidas objetivam proporcionar meios para o usuário alcançar maior autonomia no seu cuidado em saúde e manejo da sua capacidade físico-funcional.

O serviço da Clínica ocorre de forma integrada com a área acadêmica. As disciplinas práticas do bacharelado em Fisioterapia, projetos de extensão, atividades voluntárias e do Estágio Supervisionado em Fisioterapia Ambulatorial ocorrem nas dependências da Clínica-Escola, sendo todas as atividades supervisionadas por profissionais fisioterapeutas e/ou docentes do curso. AI/VM

 

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