Cobaias, vacinas e a nossa saúde

Confira a coluna do engenheiro agrônomo Nilo Cortez


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Foto: Divulgação

Nosso relacionamento com animais passa de ser apenas em relação com alimentos. Alguns deles nos ajudaram na caça, outros na guerra, ainda aqueles de companhia. Talvez o mais nobre uso seja o de cobaia. Que são aqueles animais que servem de experimentos para tantas alternativas entre elas medicamentos, material de limpeza, produtos de beleza e tratamentos de saúde. As vacinas como pólio, sarampo, difteria, tétano, hepatite, febre amarela, meningite, muitas gripes só existem por ter sido usado cobaias. Mas, seu uso tem sido condenado por muitas organizações mundo a fora. Há leis específicas para o uso de animais e que precisam ser obedecidas.

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O tema vem à tona pela insulina está completando um século, mesmo sendo estudada desde a.C., como urina doce que atraia formigas e outros insetos. Só veio a se tornar mais conhecida com o uso de animais de laboratório e se tornou um dos medicamentos mais importantes da medicina. Para quem era diabético a vida era muito curta. No início cães doentes foram usados para extração de extrato pancreático lá por 1899 em trabalho de pesquisa no Canadá. Em 1922 iniciou o tratamento com pessoas e nesta época o extrato era extraído de suínos e bois e buscado em abatedouros para desta forma ter em maior quantidade e fazer os medicamentos. Mais tarde sintetizaram em laboratório e se tornou no medicamento atual muito mais estável e fácil de usar, ficando o uso de animais fora. Tem ainda os que não acreditam nas vacinas que estão sendo feitas agora.

Só para lembrar os suínos são grandes aliados da saúde humana. A semelhança de seu organismo com a do homem faz com que várias partes de seu corpo pudesse ser utilizadas na medicina humana, inclusive doação de órgãos. E isto é chamado de “Xenotransplantes”, transplante de órgãos de uma espécie para outra. Inclusive recentemente foi utilizado as córneas em transplante de criança na China.

As criações destes animais são feitas de forma extremamente controlada em todos os aspectos, da alimentação e higiene ao abate. Os primeiros suínos para transplantes foram criados em 1991 quando nasceu na Inglaterra a primeira porca transgênica do mundo a “Astrid”. Os leitões nascidos tinham 15% de suas hemoglobinas iguais ao do homem. Em março de 2000 nasceram os primeiros cinco suínos clonados para utilização na medicina. (Mille, Crhista, Aléxis, Carrel e Doctom).

Mas fora isto muitos medicamentos são originários dos suínos, vamos ver alguns:
– Insulina, retirada do pâncreas.
– ACTH, hormônio retirado da glândula pituitária.
– Tireoide, é retirado medicamento para quem tem a glândula pouco ativa.
– Heparina, retirada da mucosa intestinal e é anticoagulante usado em caso de trombose.
– Hemoglobina, produzido em suínos modificados geneticamente, que é um pigmento do sangue que leva oxigênio as células do corpo.
– Surfactante, retirado do pulmão e usado em bebes nascidos com síndrome de imaturidade pulmonar.
– Em transplantes de órgãos: a pele em transplantes temporários no caso de queimaduras de terceiro grau. A válvula cardíaca retirada do coração e transplantada em homem e crianças.

Retirada do pâncreas a “ilhotas pancreáticas” para pessoas diabéticas que não a possuem. Células nervosas retiradas para recuperação de impulsos nervosos da medula da espinha dorsal. Transplante de fígado o primeiro realizado em 1992 na Itália onde uma mulher de 33 anos recebeu um fígado artificial produzido a base de células modificadas de suínos. Mal de Parkinson com implante de células de embriões de suínos tiveram significativas melhora porque aumenta a dopamina. Epilepsia, células retiradas do feto que continham substancias inibidoras foram implantas no cérebro dos pacientes epiléticos. Houve redução de 40% na frequência do problema. Na reconstrução de tecidos danificados é utilizado parte de intestinos, colágeno, proteínas e fatores de crescimento tem condições de melhorar ferimentos crônicos e incontinência urinária.

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Muitos outros animais são usados na pesquisa a nosso favor entre eles: porquinho-da-índia, camundongos, coelhos, macacos, cães. O macaco está sendo novamente falado em virtude da febre amarela. Ele é apenas sinalizador, não transmite a doença. Existe uma ética nos usos de cobaias, animais fornecedores, pesquisas e aulas.

O bem-estar animal é levado em conta nos testes clínicos inclusive O Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (CONFEA) tem trabalho importante nesta área. Não há porque ter medo de vacina elas vieram para nos proteger. Nada é perfeito mas os riscos são de um percentual ínfimo.

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