Cobrança pelo aluguel de ginásios municipais pode comprometer futuro das categorias de base e time feminino da Alaf, em Lajeado

Agremiação estuda transferência para outro município e não descarta encerramento das atividades


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Foto: Alexandre Heissler

As atividades das categorias de base da Associação Lajeado de Futsal (Alaf), podem estar com os dias contados. Decreto publicado pela Prefeitura de Lajeado, no início de agosto, determina a cobrança de aluguel dos ginásios municipais, usados pela Alaf para treinamento e disputa de jogos.

De acordo com o tesoureiro da agremiação, Alexandre Heissler, a medida inviabilizará a continuidade do projeto, que atende cerca de 130 crianças. “Para manter as atividades, cobramos mensalidade para pagar dois professores, compra de material esportivo, inscrições em competições e viagens. Se tivermos que arcar com os custos do aluguel dos ginásios, que tem valor fixado em R$ 47,80 por hora, de acordo com o decreto, pelos nossos cálculos, teríamos um prejuízo mensal de R$ 405. Os valores estão totalmente fora da realidade. Sabíamos que haveria a cobrança de um valor, mas na época, seria algo em torno de 40% ou 50% a menos daquilo que foi publicado no decreto. Não somos contra pagar o aluguel, mas esse valor fica inviável”, pondera Heissler.


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Além das categorias de base, a recém criada equipe feminina da Alaf também está ameaçada. “As gurias não recebem nada para jogar. A Alaf não tem condições de pagar. Elas estão vendendo produtos para ajudar a custear a participação de Lajeado no Gauchão de Futsal Feminino 2021. Aqui em Lajeado, muitas vezes, a Alaf é tratada como time de horário. Nada contra quem aluga ginásio para jogar, mas somos uma entidade que gera muitos empregos, 25 só no masculino adulto, fazemos girar a economia dentro de Lajeado. Você não ter esse reconhecimento é no mínimo desrespeitoso”, desabafa o dirigente.

Time feminino desperta interesse de outros municípios e da Univates

Foto: Alexandre Heissler

Após a decisão da prefeitura de Lajeado de cobrar pelo uso dos ginásios, outras três propostas surgiram para abraçar a equipe feminina. “A prefeitura de Estrela ofereceu ginásio totalmente gratuito para treinos. Eles só ficaram de ver a colocação de um placar eletrônico para a disputa de jogos. Cruzeiro do Sul também ficou de ver os horários disponíveis no ginásio municipal. Além disso, tivemos uma grande iniciativa da Univates. Nesta quinta-feira (12), às 11h, teremos uma reunião com o professor Clairton Wascholz, o Xis para discutir o assunto. A Univates também nos ofereceu o Complexo Esportivos sem custos, porque a instituição entende que a Alaf é uma entidade hoje muito grande, que movimenta diretamente cerca de mil pessoas e merece ter um carinho especial por tudo que faz em prol da sociedade”.

Alexandre Heissler comenta que as três possibilidades são consideradas. “Hoje nós temos as três possibilidades e não podemos descartar nenhuma. Vamos optar por aquela que não tivermos custos com o ginásio”, antecipa.

Times de base devem encerrar atividades

Da acordo com Alexandre Heissler, diferente do naipe feminino adulto, os times de base, tanto masculino quanto feminino, não dispõem das mesmas opções e a tendência é pelo encerramento das atividades. “Quanto as categorias de base, hoje, eu diria que é de 99% a chance de encerrar as atividades. Não tem a mínima condição de pagar R$ 400 por mês para o aluguel dos ginásios. Também não tem como levar crianças de 4 a 7 anos para ouro município, sendo que a maioria dos atletas são de Lajeado”, explica.

Reflexo na equipe principal

O tesoureiro e ex-presidente da Alaf, Alexandre Heissler admitiu que o desgaste ocasionado pelo episódio pode refletir na equipe profissional da entidade, que atualmente disputa o Gauchão de Futsal 2021. “Temos que respeitar o valor do aluguel estabelecido no decreto e com isso, várias situações vão se encerrar e compromete o futuro da Alaf. Reflexo sobre a equipe principal? Talvez sim. Vou falar por mim agora. Gostaria que o poder público se colocasse no nosso lugar, pois fazemos um trabalho voluntário , tirando valores da nossa família e lazer, para tocar um projeto maravilhoso. A gente pode ver pelas transmissões do Grupo Independente o que significa a Alaf no âmbito nacional, Quando se fala em Alaf, fala-se de Lajeado e não de outro lugar. Se é vontade do município colocar obstáculos na frente da Alaf, para mim é melhor. Posso descansar e cuidar da minha família. Nunca tive outro interesse na Alaf, que não seja trabalhar pelo esporte, de forma gratuita”, finaliza.

A Prefeitura de Lajeado foi procurada pela reportagem para comentar o assunto. O secretário municipal da Cultura, Esporte e Lazer (Secel), Carlos Reckziegel prometeu se manifestar após ouvir as colocações do dirigente da Alaf.

Texto: Luís Fernando Wagner
noticias@independente.com.br

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