Fadlin (E) não via a família desde que tinha dois anos. (Foto: Natalia Ribeiro)

Após uma década de separação, uma família de imigrantes haitianos conseguiu trazer o filho mais velho para Lajeado, onde reside desde 2011. Fadlin Cetout, 12 anos, morava com um tio materno, no Norte do país caribenho. Agora ele está junto dos pais e dos três irmãos. Eventos e rifas que foram promovidos pela comunidade permitiram a chegada do garoto, na noite desta quarta-feira (24).


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Residindo no Bairro Florestal, em um apartamento comprado através do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, os haitianos sentiam que a família ainda não estava completa. “Não estávamos felizes porque ele estava longe com a gente”, relata o pai, Douaneus Pierre, 35 anos – Eduardo, em português. Ele foi o primeiro a chegar no Brasil, há seis anos. A esposa, Nicole Frederic, 34 anos, veio em 2012.

Dois filhos do casal nasceram em Lajeado: Anderson Pierre, de 2 anos e 10 meses, e Hernando Pierre, de apenas dois meses. Os outros dois filhos, que nasceram no Haiti, tiveram de ser trazidos depois. “Eu trabalhava numa empresa de Lajeado quando, em 2014, meus colegas perceberam que andava muito triste. Era porque nossa filha Ridachka, que hoje tem sete anos, estava longe. Fizeram uma vaquinha e bancaram sua vinda”, conta o pai.

Processo semelhante ocorreu com Fadlin, que foi buscado pelo pai nesta semana. Estimada em R$ 12 mil, a transferência se tornou inviável para a família devido ao valor elevado. Uma colega de Nicole, que trabalha no Hospital Bruno Born (HBB) de Lajeado, teve a ideia de promover uma campanha para arrecadar os recursos. Foi realizado o evento Gogó do Bem, que reuniu 16 músicos da região em apresentações artísticas, no Public House, em maio de 2016. Também foi comercializada uma rifa durante o evento. A atividade supriu todos os custos previstos.

Chegada

Desde a saída do pai, no domingo (21), a família vivia a apreensão pelo encontro. Assim que o menino chegou, todos ficaram comovidos. “Fiquei muito feliz com a chegada do meu filho. Eu abraçava e beijava ele. Imagina a reação de uma mãe que não via o filho há 10 anos. Eu só quero abraçar ele”, conta Nicole. Agora a mãe quer aproveitar, ao máximo, a presença do filho. “Onde eu vou tenho que levar ele, assim ficarei feliz”, garante.

Nos próximos dias, os pais vão procurar a Polícia Federal para regularizar a permanência do garoto em Lajeado. Ele precisa de uma permissão para morar no Brasil. Depois disso, poderá começar os estudos. O menino ainda não entende e também não fala português. A família garante que quer continuar no país.

Condição financeira

Enquanto Fadlin estava no Haiti, os pais encaminhavam recursos para auxiliar no seu sustento. Também ajudam parentes necessitados. A renda da família está baseada no trabalho da mãe, que recebe cerca de R$ 1,1 mil mensais com o expediente na lavanderia do HBB, e na pensão, de R$ 937, que o pai recebe do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), como assegurado. Ele sofreu um acidente de trânsito em julho de 2016, que ainda o impossibilita de trabalhar. NR

1 comentário

  1. Estou muito sensibilizado com tanta dificuldade que o povo haitiano tem passado longe de seus familiares, haja vista que, em busca de trabalho, de sobrevivência, muitos vieram para o Brasil deixando cônjuges e filhos em seu país.
    Gostaria de ajudar um haitiano que trabalha no condomínio onde moro, aqui em Porto Alegre, pois, hoje ele me contou que não tem dinheiro para trazer sua esposa e filhos que ficaram no Haiti.
    Assim, estou à procura de ONGs, ideias, apoio, etc., para ajudar este ser humano que sofre a ausência dos seus familiares.

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