Com gritos ‘domingo não’ e vaias dos comerciários, projeto tem pedido de vista e deve retornar em dez dias

Rodrigo Conte (PSB), que assumiu a cadeira de Adriano Rosa (PSB) na sessão desta quinta, pediu mais tempo para análise da proposta


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Comerciantes não puderam entrar no plenário, mas do lado de fora fizeram barulho (Foto: divulgação/Câmara de Lajeado)

Mesmo com gritos como ‘domingo não’ e vaias, não foi desta vez que os comerciários de Lajeado tiveram uma resposta acerca do projeto de origem do Poder Executivo que prevê a abertura do comércio aos domingos e feriados. A matéria estava na ordem do dia da sessão da Câmara de Vereadores de Lajeado desta quinta-feira (09), mas recebeu pedido de vista do vereador Rodrigo Conte (PSB), que assumiu a cadeira de Adriano Rosa (PSB) nesta quinta. Carlos Eduardo Ranzi (MDB), Jones Vavá (MDB), Marquinhos Schefer (MDB), Lorival Silveira (PP) e Sérgio Kniphoff (PT), votaram contra o pedido de vista.


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Conte já havia dito que estava em dúvida a respeito do seu voto. Agora a proposta tem até dez dias para ser votada, mas o vice-presidente da Câmara, Heitor Hoppe (PP), já adiantou que o projeto não irá para apreciação na sessão da próxima terça-feira (14), em razão do presidente Isidoro Fornari Neto (PP) não estar presente.

Fizeram barulho

O Sindicato dos Empregados no Comércio de Lajeado, Sindicomerciários, esteve presente na Câmara para acompanhar a votação, mas o plenário estava de portas fechadas para os empregados. Do lado de fora os comerciantes acompanharam a sessão pela transmissão ao vivo e por diversas vezes gritavam e faziam barulho com apitos. Cartazes foram expostos no plenário com mensagens como ‘votamos em vocês, votem em nós’, ‘não seja um vacilão’, Ana, Heitor, Rodrigo, contamos com vocês’, e ‘atrás de um balcão, também bate um coração’.

Os dois lados

Alex Schimtt (PP) seguiu firme na sua decisão favorável ao projeto do comércio. Ele disse que a matéria tem a ideia de devolver a liberdade de escolha. “Isso não vai tirar direito dessas pessoas de frequentar missas e cultos. Ninguém paga para trabalhar. O que se busca com esse projeto é a liberdade de cada equipe de trabalho. Uma loja de artigos tradicionalistas tem demandas totalmente diferentes de uma loja de esporte. Colocar todas essas pessoas no mesmo saco é uma ingerência”, justifica. Durante parte de seu pronunciamento, do lado de fora os comerciantes gritavam ‘fora Alex’.

Enquanto isso, Carlos Eduardo Ranzi (MDB) voltou a defender seu posicionamento. Ele é contra a proposta. Conforme o parlamentar, o projeto faz parte do partido novo, representado por Alex Schmitt. “Não existe dúvida a respeito de ser uma agenda do partido Novo, o vereador Alex se elegeu com esse discurso, não dá para dizer que ele não está cumprindo com os eleitores dele. Entretanto, há 21 anos eu não trabalho aos domingos e não tenho moral para dizer que esse projeto tem que passar”, rebate.

Querem os comerciantes dentro do plenário

Lorival Silveira (PP) e Eder Spohr (MDB) sugeriram ao presidente Fornari que permitisse que os comerciantes possam entrar no plenário. Lorival disse que não se pode temer a população. “Convido os demais vereadores que votem com a consciência e não sejam induzidos pela maioria. E falar para o presidente que está mais do que na hora de abrir o plenário para o público. Convido aos vereadores que se na próxima sessão o público não poder participar, vamos barrar as votações”, sugere.

Lorival Silveira (PP) (Foto: Caroline Silva)

Spohr disse que seria justo convidar os trabalhadores a entrarem. “Essas pessoas que estão aqui fora gritando já estão aglomeradas, acho que seria bom convidá-las para entrar. Quando vem alguém na casa da gente, a gente convida para entrar”, destaca. O pedido de ambos não foi aceito e nem comentado por Fornari.

Eder Spohr (MDB) (Foto: Caroline Silva)

 

Aluguel social

Um projeto aprovado na sessão foi o de origem do Executivo que pretende repassar aluguel social às famílias de baixa renda em situação de vulnerabilidade social. Contudo, as vereadores Paula Thomas (PSDB) e Ana da Apama (MDB), incluíram uma emenda que coloca na proposta mulheres vítimas de violência encaminhadas pelo Centro de Referência em Atendimento à Mulher (CRAM), sem a necessidade de Cadastro Único.

Paula diz que muitas vítimas não se sentem bem na Casa de Passagem e por isso o aluguel social poderia beneficiá-las. “Quando são agredidas elas acabam indo para a Casa de Passagem, mas lá não têm o conforto para manter seus filhos, e assim podemos estar dando um melhor lugar”, comenta.

Já Ana dá o exemplo de que muitas mulheres são vítimas de próprios pais ou parentes e acabam tendo que conviver na mesma casa. “Algumas mulheres sofrem abuso do pai, como no exemplo que temos, que a pessoa mora no andar de cima e precisa todo dia ver o agressor. Muitas não querem ficar na Casa de Passagem porque são várias famílias, e elas querem ter o lugar delas. É uma situação inusitada. A vítima pode não ter Cadastro Único”, justifica.

Texto: Caroline Silva

jornalismo@independente.com.br

2 Comentários

  1. Olha se olha para Brasília, mas políticos Safados, imorais, estão perto de nós. Qdo é para pedir voto aí eles chegam perto das pessoas, e agora fecham as portas. Hipócritas.

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