Com salários de US$ 10, professores universitários na Venezuela recorrem a doações para comer

Até 2016, o salário de um professor universitário na Venezuela era equivalente em bolívares a 700 dólares


0
Foto: Pixabay / Reprodução

Com salários em bolívares em um país que vive uma dolarização de fato, centenas de professores universitários na Venezuela, com doutorado ou mestrado, estão na miséria. A situação é mais crítica para os idosos, em especial os aposentados, que muitas vezes só conseguem comer graças a doações. Outros vendem bens e pedem dinheiro na rua. Os mais jovens, ainda com energia, se desdobram em outros trabalhos para aumentar o orçamento.

Hoje, o valor máximo pago por mês a um professor titular da Universidade Central da Venezuela é de 46,06 bolívares, o equivalente a US$ 10. É como se um professor titular da USP ganhasse o equivalente a R$ 56. De acordo com o Observatório Venezuelano de Finanças, a cesta básica em novembro deste ano chegou a US$ 342. Um quilo de carne custa 41,48 bolívares, ou US$ 9.

Até 2016, o salário de um professor universitário na Venezuela era equivalente em bolívares a 700 dólares, o que daria R$ 3,948 na cotação atual. Há anos a hiperinflação, que só este ano supera 1.000%, derrubou os proventos. “A queda em 2017 foi abrupta. O salário dos professores passou para o equivalente a US$ 70 e, no ano seguinte, para US$ 3. Agora está entre US$ 7 e US$ 11”, explica o administrador Manuel García.

Fernando Rodríguez, matemático aposentado e ex-professor da UCV, hoje pede esmolas nas ruas de Caracas. “Desde 2018 esta é minha rotina: saio de casa e peço ajuda nos sinais. Ou vou para Las Mercedes [bairro abastado da cidade], onde ficam os restaurantes, e lá consigo algo para comer e dinheiro. Uma vez ganhei uma nota de US$ 20.”

“Alguns professores emagreceram, em média, 8,7 quilos. Outros chegaram a perder 15 quilos. Isso tem a ver com a dolarização de fato da economia. Sobretudo a partir de 2019, quando os produtos foram dolarizados, menos os salários dos professores, que continuam em bolívares”, explica a antropóloga Nashla Báez.

A ministra da Educação Superior, Jaqueline Farias, informou que foi apresentado à Vice-Presidência uma tabela de ajuste salarial. Ainda que seja aprovada, o valor continuará longe de oferecer uma velhice tranquila àqueles que ajudaram a construir o país.

Fonte: O Globo

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Por favor, coloque o seu nome aqui