Comércio de Estrela abre as portas após três semanas sem atendimento ao público

Reportagem conferiu a movimentação dos lojistas no Centro da cidade na manhã desta segunda-feira (22)


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Lojistas voltaram com atendimento presencial em diferentes ramos do comércio (Foto: Gabriela Hautrive)

Esta segunda-feira (22) marca a retomada do funcionamento do comércio considerado não essencial pelo Governo do Estado que precisou ficar sem atendimento ao público durante três semanas por conta da classificação de bandeira preta em todo o Rio Grande do Sul sem possibilidade de cogestão, medida que flexibiliza regras a partir de decretos municipais independente da classificação da bandeira. Em Estrela, os lojistas abriram as portas e podem vender seus produtos novamente, seguindo protocolos de higiene, com uso de máscara, álcool em gel e também distanciamento entre os clientes.


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Proprietária de uma loja de vestuário, Deise Bohm voltou ao trabalho (Foto: Gabriela Hautrive)

A proprietária de um estabelecimento que trabalha com vestuário para o público feminino, Deise Bohm, entende que a reabertura é fundamental para economia. “Representa a manutenção de empregos, representa podermos pagar nossas e darmos a possibilidade dos clientes colocarem suas parcelas em dia”, relata. Durante o final de semana a justiça suspendeu provisoriamente o retorno da cogestão no Rio Grande do Sul, o que impediria a abertura do comércio nesta segunda-feira (22), porém a liminar foi negada.  Independente de estar permitido ou não, lojistas já se mobilizavam para retomar o funcionamento do comércio a partir desta semana. “Organizamos um grupo do comércio de Estrela com funcionários e proprietários do comércio não essencial e decidimos que abriríamos mesmo sem a liminar, mas assim com certeza é bem mais tranquilo, só que abriríamos igual, pois temos que manter as contas em dia”, diz Deise.

Funcionária de uma loja de artigos esportivos na área central de Estrela também retomou suas atividades (Foto: Gabriela Hautrive)

Conforme a proprietária, houve uma queda de 90% nas vendas no período em que a loja precisou ficar fechada. “Vai um bom tempo para podermos nos recuperar, cerca de seis meses, pois tivemos uma data bem importante para vendas que foi o Dia Internacional da Mulher e nós estávamos com as portas fechadas”, conta. Um outro estabelecimento, com foco na comercialização de roupas, calçados e artigos esportivos, a funcionária Camili Zeni, diz que a reabertura do comércio sinaliza também a manutenção dos cuidados para evitar a disseminação do coronavírus. “Não é somente o supermercado e lojas que são os centros de contaminações, teve final de ano, teve festas, então o comércio não tem culpa. Foi importante que os lojistas tenham se unido de certa forma, pois não podemos ficar fechados”, pondera.

“Medo de se manifestar”

Alguns lojistas que conversaram com a reportagem informaram não querer expor suas opiniões neste momento por medo de sofrer críticas. Os argumentos dos proprietários foi de que durante o período em que estavam fechados e buscavam retomar as atividades, ouviram muitas pessoas indo contra o movimento e julgando aqueles que queriam voltar ao trabalho em um momento de pandemia. Durante as três semanas de bandeira preta no Rio Grande do Sul, sem possibilidade de cogestão, era permitido o funcionamento apenas de setores da alimentação, saúde, postos de combustíveis e alguns outros segmentos situados às margens de rodovias.

Reportagem registrou baixa movimentação de pessoas nas ruas de Estrela na manhã desta segunda-feira (22) (Foto: Gabriela Hautrive)

Novos protocolos para reabertura de estabelecimentos

• Administração pública:
Reforço teletrabalho/teleatendimento.
Lotação máxima de 25% dos trabalhadores presencialmente.

• Praias, praças e parques
A permanência em praças, parques e faixas de areia de água doce ou de água salgada segue vedada. O banho de mar também continua proibido.

Fica permitida a prática de esporte aquático individual.

• Comércio (essencial e não essencial)
Presença máxima de uma pessoa para 8m² de área.
Exigência de cartaz com número máximo de pessoas.
Horário preferencial para quem pertence a grupo de risco.

• Feiras ao ar livre
Deixa clara a inclusão e a autorização de comércio de produtos alimentícios em feiras livres de produtos alimentícios agrícolas.
Distanciamento de três metros entre as barracas.

• Restaurantes, bares, lanchonetes e sorveterias
Lotação máxima de 25%.
Distanciamento de dois metros entre as mesas.
Máximo de quatro pessoas por mesa.
Proibido música ao vivo.

• Hotéis e alojamentos
Lotação máxima de 50% nos estabelecimentos que tenham o Selo Turismo Responsável.
Lotação máxima de 30% nos estabelecimentos sem Selo Turismo Responsável.
Áreas comuns fechadas em todos os estabelecimentos.

• Indústria e construção civil
Lotação máxima de 75% lotação de trabalhadores.
Distanciamento interpessoal nos postos de trabalho e nos refeitórios.

• Parques temáticos, de aventura, jardins botânicos e zoológicos etc.
Lotação máxima de 25% de trabalhadores, exclusivo para manutenção.
Sem atendimento ao público.

• Teatros, auditórios e casas de espetáculos
Inclusão de autorização de lotação máxima de 50% de trabalhadores, limitado a 30 pessoas, exclusivo para captação de produção audiovisual (lives).
Sem atendimento ao público.

• Museus e bibliotecas
Lotação máxima de 25% de trabalhadores, exclusivo para manutenção.
Sem atendimento ao público.

• Cinemas, drive-in, feiras, congressos, eventos sociais e corporativos, festas, festejos e procissões
Não autorizado.

• Serviços de educação física (academias e piscinas etc., inclusive em clubes e condomínios)
Exclusivo para atividade individual com fins de manutenção da saúde.
Lotação de uma pessoa para cada 32m² de área útil de circulação.
Obrigatoriedade de cartaz com número máximo de pessoas.
Grupo de no máximo duas pessoas para cada profissional habilitado.

• Clubes sociais e esportivos
Fechamento de áreas comuns para lazer.
Academias e piscinas conforme protocolo “Serviços de Educação Física” (veja protocolo
acima).
Permitida a prática de esportes coletivos (duas ou mais pessoas) exclusivo para atletas profissionais.

• Competições esportivas
Somente mediante autorização do Gabinete de Crise.
Jogos de campeonato de futebol (FGF, CBF, Conmebol) somente após as 20h.

• Serviços de higiene pessoal (cabeleireiro, barbeiro e estéticas)
Máximo de uma pessoa para 8m² de área.
Obrigatoriedade de cartaz com número máximo de pessoas.
Distanciamento de dois metros entre clientes.
Horário preferencial para grupo de risco.

• Serviços de higiene e alojamento de animais (pet shops)
Lotação máxima de 25% de trabalhadores.
Atendimento individual, sob agendamento, tipo pegue e leve.

• Missas e serviços religiosos
Lotação máxima de 10%, limitada a 30 pessoas.
Distanciamento entre grupos não coabitantes.

• Bancos, lotéricas e serviços financeiros
Lotação máxima de 50% trabalhadores.
Controle de acesso clientes (senha, agendamento ou sistema similar).
Horário preferencial para pessoas pertencentes ao grupo de risco.

• Serviços (sindicatos, conselhos, imobiliárias e consultorias etc.)
Reforço teletrabalho/teleatendimento.
Lotação máxima de 25% dos trabalhadores.
Atendimento individual, sob agendamento.

• Serviços domésticos (faxineiros, cozinheiros, motoristas, babás e jardineiros etc.)
Obrigatório uso correto da máscara por empregados e empregadores.

• Condomínios
Fechamento de áreas comuns.
Academias e piscinas conforme protocolo “Serviços de Educação Física” (veja protocolo acima).

• Transporte rodoviário fretado, metropolitano, executivo/seletivo, intermunicipal e interestadual
Lotação máxima de 50% dos assentos (janela).
Uso contínuo e correto de máscara.
Janelas ou alçapão abertos e/ou sistema de renovação e ar.

• Transporte coletivo urbano ou metropolitano
Lotação máxima de 50% da capacidade do veículo.
Uso contínuo e correto de máscara.
Janelas ou alçapão abertos e/ou sistema de renovação e ar.

Texto: Gabriela Hautrive
reportagem@independente.com.br

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