Comida de mãe

No meio da pandemia, estamos coletivamente ansiando por comida reconfortante


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Foto: Ilustrativa

Comida reconfortante ou “Comfort Food” parece ser algo que as pessoas associam de forma muito significativa aos relacionamentos íntimos. A expressão “comida reconfortante” já existia pelo menos desde 1966, quando o Palm Beach Post a usou em uma matéria sobre obesidade: “Adultos, quando sob forte estresse emocional, recorrem ao que poderia ser chamado de ‘comida reconfortante’, comida associada à segurança da infância, como o ovo pochê da mãe ou a famosa canja de galinha.” Então, nada melhor que na véspera do dia das mães falar de uma comida que nos remete tão fortemente a infância.

Batatas eram a comfort food original dos anos 1970, quando a frase ainda aparecia entre aspas nas seções de estilo de vida dos jornais. Liza Minnelli, a famosa cantora, definiu a comfort food como aquela comida que você diz  “Hummmmmmm”, e seu prato preferido eram batatas assadas com creme de leite, pimenta e manteiga. Elaine Tait, famosa redatora, optava por cozido com bacon, fatias de ovo cozido e tomate maduro. A sopa de galinha também ganhou rapidamente o título, uma refeição relaxante com apelo que ultrapassa as divisões demográficas.

Os alimentos reconfortantes da década de 1970 eram intensamente pessoais, algo apreciado em casa e sozinho. Os americanos da época confessaram desejar manteiga e cebolas doces com centeio, sardinhas direto da lata, sanduíches de açúcar mascavo, amendoim salgado e leite e flocos de milho encharcados.

Comer esses pratos às vezes incomuns era um pouco de permissão para admitir as indulgências – pelo menos até que a indústria da dieta tentou reivindicar o termo. A ideia de conforto deles sempre foi um pouco diferente. Os que se preocupavam com a dieta alertavam sobre os perigos de comer para gratificação emocional, garantindo que nossos pratos favoritos fossem servidos dali para frente com um lado da culpa. Pode ter sido a tática errada: na virada da década, a “comida temperada” mudou de salgada para doce. As pessoas buscavam consolo pecaminoso em sorvetes, pudins, tortas e, é claro, chocolates.

Medico e gourmet Marcos Frank fala sobre culinária nas sextas-feira no quadro “Direto Ao Ponto” (Foto: Divulgação)

Em seguida, vieram os restaurantes com o titulo: “comida caseira”, o quê era realmente uma ótima tradução para comfort food. Na época a escritora de culinária Jane Stern afirmava: “A questão é que comida é mais do que comida – são os cordões do coração – é a memória”.

O duelo das tendências dietéticas da década de 1990 deveria ter representado o fim da comida reconfortante. A década começou com produtos com baixo teor de gordura e depois sem gordura lotando as prateleiras dos supermercados e terminou com sua imagem no espelho: os ditames de Atkins com baixo teor de carboidratos.

A ciência tentou explicar essa atração persistente. Uma resposta direta oferecida por uma equipe de cientistas de alimentos credita o apelo dos alimentos reconfortantes à sua composição nutricional. Muitos pratos são ricos em gordura ou açúcar, substâncias que o corpo pode processar em um alívio temporário do estresse. Já os psicólogos exploraram uma conexão mais complicada entre comida e memória individual, teorizando que pratos bem-amados podem evocar os mesmos sentimentos de segurança ou contentamento que faziam quando o cliente era mais jovem. Ou Seja “comfort food” é antes de mais nada “comida de mãe”!

Por isso, no meio da pandemia estamos coletivamente ansiando por comida reconfortante – o termo agora tão arraigado em nosso vocabulário que o aplicamos não apenas para o sustento reconfortante, mas também à música, filmes e outros entretenimentos não desafiadores e frequentemente nostálgicos que abraçamos durante a quarentena.

Canja de Galinha

Ingredientes

  • 2 cenouras médias
  • 2 batatas médias
  • 1 espiga de milho verde
  • 300 gramas de peito de frango
  • 1 1/2 litro de água
  • 1/2 cebola picada
  • 2 dentes de alho amassados
  • 1 fio de óleo para untar a panela
  • Temperos a gosto: cheiro verde, hortelã…
  • Sal a gosto
  • 1 xícara de macarrão para sopa (conchinha, argolinha, letrinha)

Em uma panela grande, vamos dourar a cebola e o alho com 1 fio de óleo. Frite os peitos de frango cortados em cubos até que fiquem bem dourados. Acrescente a água e os legumes cortados em cubos e deixe cozinhar em fogo baixo até que os legumes fiquem al dente. Se a água for secando, acrescente um pouco mais para que a canja fique com aquele caldo bonito. Quando os legumes já estiverem al dente, acrescente 1 xícara de massa e o milho verde. Deixe cozinhar por 10 a 15 minuto,acerte o sal,a pimenta (eu gosto também de uma pitada de noz moscada) e está pronto

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