Como a ascensão do Talibã ameaça especialmente direitos das mulheres no Afeganistão

A tomada do poder do Talibã põe em risco direitos conquistados pelas afegãs nos últimos 20 anos, como o de meninas irem à escola e mulheres poderem trabalhar


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Foto: Getty Imgens

A tomada do poder no Afeganistão pelo Talibã vem causando medo entre os civis e levou o presidente Ashraf Ghani a se retirar do país no último domingo (15) após o grupo extremista cercar a capital Cabul. Mas o novo capítulo na história dos conflitos no país é especialmente ameaçador para as mulheres. A ascensão do grupo põe em risco direitos conquistados pelas afegãs nos últimos 20 anos – desde que os extremistas foram expulsos da capital afegã pelos Estados Unidos, que invadiram o país em resposta aos ataques de 11 de setembro de 2001 – como o de meninas frequentarem a escola e as mulheres poderem trabalhar.

Com a rápida reconquista do Talibã, o medo é que a estrita Sharia, conjunto de leis islâmicas conservadoras que recorrem a medidas como espancamentos públicos por parte da polícia religiosa e utilização da burca, se estabeleça hegemonicamente. Entre 1996 e 2001, quando o Talibã governou o país, as meninas só podiam frequentar a escola a partir dos 10 anos e as mulheres não podiam trabalhar. Para sair de casa, as adultas precisavam ser acompanhadas por um parente homem. Com a retirada de forças estrangeiras nas últimas semanas, o Talibã, criado em 1994, reassume a potência que tinha entre o final do século passado e o início do atual.

Mulheres que conseguiram escapar das regiões conquistadas pela milícia afirmam que os militares demandam que crianças e mulheres solteiras sejam entregues para se tornarem suas esposas. Além disso, também existem relatos de que a burca, que cobre todo o corpo feminino e permite que apenas os olhos sejam expostos – sob uma tela -, esteja sendo obrigada mais uma vez nesses mesmos locais. A mudança em relação aos códigos de vestimenta simboliza, para as mulheres do país, um retrocesso de direitos conquistados nas últimas décadas.

O secretário geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, afirmou estar “particularmente preocupado com o futuro das mulheres e meninas”. Cerca de 80% dos quase 250 mil afegãos forçados a fugir desde o final de maio são mulheres e crianças.

A ONG Mothers of Afghanistan (Mães do Afeganistão) ressaltou em post nas redes sociais a urgência da situação de crianças e mulheres. “Pedido de ajuda emergencial no Afeganistão. O nosso principal foco é nas crianças e mulheres que são deslocadas e estão vivendo em espaços abertos e sem segurança. Imagine pelo o que elas estão passando neste tempo difícil em que deixam suas casas de mãos vazias, apenas com esperança”.

A ativista paquistanesa Malala Yousafzai, ganhadora do Nobel da Paz por sua atuação na defesa dos direitos das meninas à educação, também se pronunciou sobre a situação do país. “Assistimos em completo choque enquanto o Talibã assume o controle do Afeganistão. Estou profundamente preocupada com mulheres, minorias e defensores dos direitos humanos. Poderes globais, regionais e locais devem pedir um cessar-fogo imediato, fornecer ajuda humanitária urgente e proteger refugiados e civis”, expressou. Fonte: Revista Marie Claire

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