Como é bom se ofender!

Confira o comentário do promotor de Justiça Carlos Augusto Fiorioli no quadro "Direto ao Ponto".


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Foto: Arquivo / Grupo Independente

A afirmativa não é minha; copio do David Coimbra. Recordo ter lido, meses atrás, uma abordagem que fez sobre esse tema, interessantíssima; estamos acostumados a um sistema de delitos contra a honra – calúnia, injúria e difamação – em regra processadas criminalmente pelo sedizente ofendido – ação penal privada privativa-; porém, aqui a abordagem que tenciono é outra.

Acompanhando as redes sociais, ainda mais nesse período de limitações, bandeiras, lockdown, em face do covid19, ano eleitoral com eleições gerais, presidência da república com comunicação combativa, ministros do STF com decisões e posturas pessoais que alarmam a sociedade, noto, de modo semelhante ao David Coimbra, que estamos mais suscetíveis, sensíveis, e que de modo geral aprendemos, rapidamente, a nos ofender. E, para certo, incontestável, que esse sentimento de ofensa provém de um fundo egoico.


ouça o quadro

 


É natural pensar que autoestima baixa e ego enorme gera a possibilidade de alguém, ou muitos, se sentirem ofendidos por algo escrito, falado ou mesmo determinada conduta em desacordo com o que pensa ou imagina é hoje em dia uma certeza. Outrora os sentimentos de ofensa eram objetivamente pessoais, em regra por desabono a uma qualidade ou atitude da pessoa; de bêbado a zoneiro, passando pelo maconheiro.

Hoje, a situação é mais complexa, as pessoas se ofendem, como atentou o David Coimbra, em grupos, em coletivos e, por motivos absolutamente culturais, possuindo pelas redes sociais e aplicativos a possibilidade de quase que imediatamente se agruparem e de se mobilizarem contra o suposto ofensor; a verdade, em conclusão, é que tem muita gente desejando se ofender para poder, se suscetibilizando com alguma nobre causa, atacar, tornando-se a imagem do sucesso na causa defendida.

Coimbra destaca que “é preciso encontrar uma agressão, portanto, para crescer sobre os ombros do agressor”. Assim, sem dúvida, nesses tempos complexos, de vigiamento social, com pessoas extremamente suscetíveis e inflamadas de visões muito particulares sobre os assuntos mais variados do cotidiano, é preciso mesmo “ter cuidado ao caminhar, para não pisar numa, despertando a ira dessa geração de ofendidos” (sic).

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