Como mudar o mundo com uma geração que não enche a forminha de gelo?

O que observamos nos tempos atuais são pessoas com idade avançada e que seguem sendo conduzidas pelos pais, sem condições de tomar as suas próprias decisões e de suportar suas consequências


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Há anos ouço que é difícil encontrar mão de obra qualificada no mercado (Foto: Ilustrativa)

Há anos ouço que é difícil encontrar mão de obra qualificada no mercado. E concordo plenamente. Tenho várias comprovações para isso. Uma delas aconteceu há alguns meses enquanto eu conduzia uma capacitação em Santos, São Paulo. A diretora de RH de uma multinacional comentou que o cenário que se avizinha é preocupante pois, em processos seletivos para vagas que exigem ensino superior completo, há participantes que não sabem responder quantos centímetros há em um metro. A provável consequência está no imediatismo da nova geração, que não está preocupada e comprometida com o futuro.

 

Há um dilema filosófico muito interessante que comprova isso, que é a teoria do ímpeto, do filósofo Jean Buridan. Segundo a teoria, um asno, colocado exatamente na metade do caminho entre dois fenos exatamente iguais, ficaria parado. O ser humano avaliaria a melhor opção. Porém, essa melhor opção para pessoas que não conseguem enxergar muito além, é satisfazer a primeira necessidade. Hoje em dia, nos deparamos com pessoas que dizem querer mudar o mundo, porém, não enchem a forminha de gelo para que outras possam utilizar em seguida. É a geração que bebe cerveja quente ou toma o famoso “kit”. Eu concordo que há uma fase em que todos nós pensamos (ou pensávamos) assim, mas essa fase deve passar. O que observamos nos tempos atuais são pessoas com idade avançada e que seguem sendo conduzidas pelos pais, sem condições de tomar as suas próprias decisões e de suportar suas consequências dessas decisões.

Mas como construiremos uma cidade, um estado, um país e um mundo melhor? Melhorando as pessoas que virão; melhorando as próximas gerações. Precisamos cuidar das pessoas que estamos formando. Precisamos educar nossos filhos para que eles arrumem suas casas, ponham a garrafinha de água na geladeira, encham a forminha de gelo, deixem o banheiro como receberam… As consequências disso serão que, quando adultos, eles pagarão suas contas, honrarão com suas palavras, atenderão as expectativas de quem confiou neles. Caso contrário, será como disse a diretora de RH, “o cenário que se avizinha é preocupante”. Forte abraço e até a vitória, sempre.

Gustavo Bozetti (@gustavobozetti), diretor da Fundação Napoleon Hill e MasterMind RS

 

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