Como se explica o sucesso do programa de vacinação no Chile?

Na dianteira da América Latina, embora mergulhado em crise política, já vacinou 18% da população e ocupa o quinto lugar no ranking mundial.


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Professores aguardam para receber dose de vacina em Santiago, no Chile, no dia 15 de fevereiro (Foto: Martin Bernetti/AFP)

O planejamento explica o sucesso da vacinação no Chile, que já imunizou mais de 18% de sua população e é considerado modelo não apenas na América Latina. Ocupa o quinto lugar no ranking mundial em doses administradas para cada 100 pessoas, de acordo com o Our World in Data, da Universidade de Oxford, atrás de Israel, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e EUA.

Ainda que afundado numa crise política e social desde 2019, o governo de Sebastián Piñera não perdeu tempo: começou a negociar a compra de vacinas com muita antecedência e encomendou, até agora, cerca de 90 milhões de doses, que dariam conta de imunizar o dobro de sua população.

Diversificou também o leque de laboratórios, firmando convênios com Sinovac, Pfizer, AstraZeneca e Johnson & Johnson, em diferentes fases de pesquisas. Por estar em desvantagem em relação às nações ricas, conseguiu preços competitivos.

O país andino deixa para trás os vizinhos do continente, com a ambiciosa meta de vacinar até o fim de junho pelo menos 80% dos chilenos, o que lhe garantiria a almejada imunidade de rebanho. Os 5 milhões que integram a população de risco serão vacinados até o fim deste mês.

Mais de 3,8 milhões — de uma população de 19,3 milhões — receberam pelo menos uma dose do imunizante contra a Covid-19. Nem por isso, o governo escapou de denúncias de fraudes: presume-se que 37 mil furaram filas e se vacinaram antes do previsto.

A pandemia ainda castiga fortemente o país, que perdeu 20.700 pessoas para o novo coronavírus. Embora a vacinação transcorra com agilidade, o número de infectados — 4 mil por dia — cresceu após o fim das férias de verão.

No auge da crise sanitária, eram 7 mil novos casos diários, o que obrigou o governo a decretar uma rígida, embora tardia, quarentena, sob críticas pesadas de que privilegiava a economia em detrimento da saúde. Cerca de 10% da população ainda enfrentam bloqueios, e o país está sob o estado de emergência, com toque de recolher a partir das 23h.

Durante o pico da doença e do confinamento, Piñera viu despencar a sua pífia popularidade — reflexo de protestos sociais que convulsionaram o país em 2019. O presidente fechou o ano com apenas 7% de aprovação, sob pressão para adiantar para maio as eleições de novembro de 2021.

À medida que a vacinação avança, os ventos mudam gradualmente a seu favor. De acordo com a última pesquisa do Plaza Pública Cadem, subiu para 24%. Mas ainda é prematuro detectar se o êxito do plano de imunização será capaz de redimir o legado de Piñera.

Fonte: G1

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