Como será a agropecuária daqui para frente?

O setor carnes, aves, suínos e gado são os que mais estão sentindo a diminuição no consumo pela pandemia do COVID 19.


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O instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) projeta o crescimento de 2,4% para o Setor Agropecuário brasileiro. Sendo 1,4% menor do que o projetado anteriormente. A principal causa seria os prejuízos com a seca soja e milho e outros cultivos do Rio Grande do Sul. Mas mesmo assim é o maior ganho de todos os setores e novamente está segurando “as pontas”. O setor carnes, aves, suínos e gado são os que mais estão sentindo a diminuição no consumo pela pandemia do COVID 19.

O nosso produtor tem estas duas situações complicadas para administrarem sem saber ao certo o que vai acontecer no futuro. E ainda, a incerteza de como e quando iniciar os cultivos de inverno, trigo, pastagens, fenos, silagem e demais culturas. O clima no momento não favorece. Mesmo nas criações as incertezas de água fazem com que haja diminuição de planteis e ou o aguardo de lotes. Recuperação das reservas de água vai ainda demorar.

Por tudo que tenho lido, visto e venho acompanhando teremos mudança significativa de comportamento do consumidor de uma forma geral. Nota-se a crescente exigência de qualidade, e qual a origem, e quem está produzindo. A cada vez mais como e de que forma. A preocupação do bem-estar e sanidade animal e boas práticas de produção vegetal ganha força depois desta pandemia. Ficamos mais atentos quanto a vírus, bactérias e fungos em fim microrganismos ou como dizíamos “micróbios”.

Cada produtor terá a sua marca e será acompanhado e vai ter o seu selo, rótulo enfim vai ter que dizer como está produzindo. Será positivo por um lado valorizando seu produto. E quem não seguir as novas normas terá dificuldades de colocar no mercado. Frutas e hortigranjeiros já estão com caminho em andamento e a produção animal de produtores de maior expressão já vem acontecendo junto as cooperativas e associações de raças.

Foto: Divulgação

Talvez o mais novo disso tudo será uma nova forma de relacionar o produtor na lida com os animais. Está bem claro que as Zoonoses que é a passagem de doenças dos animais para as pessoas ganhou as manchetes. Só para lembrar da China veio: Gripe Asiática H2N2 1957-1958. Gripe de Hong Kong H3N2 1968-1969. Em 2002-2004 a Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave) que é um Corona vírus passou das civetas (mamífero criado para consumo). A gripe aviária H5N1 em 2003. Gripe aviária H7N9 em 2013 e continua aí.

E agora o COVID 19 com esta pandemia. Que passou pelo pangolim mamífero com escamas que eles comem. O H1N1 em 2009 veio das granjas de porcos do México. A Vaca louca em 1980 e 1990 a origem foi de criações tecnificadas de gado na Europa. O Ebola na África identificado em 1976 veio através do macaco possível origem vírus morcego.

Foto: Divulgação

De uma certa forma os morcegos sempre estiveram envolvidos com mutações de vírus com ajuda de um outro bicho. Por isso o consumo de carnes exóticas sempre é um risco. A Revista Nature mostra que 96% do código genético do corona vírus é semelhante dos morcegos que circulam na China. E que 60 vírus dos 200 identificados em morcegos podem infectar as pessoas. Muitas coisas por conhecer ainda.

Na medida que invadimos os habitats dos animais silvestres nos aproximamos de situações de contaminações desconhecidas. O morcego a princípio é insetívoro, frutífero, faz polinização sendo útil. Com exceção do transmissor da raiva. Mas ao ir para o forro de nossas casas ou muito próximo, principalmente as suas fezes são risco de problemas.
Esta relação com animais seja eles criações comerciais, ou de companhia como cão e gatos, ou ainda de lazer precisarão ser revisadas.

O morar praticamente junto com a criação como aconteceu na China não poderá mais acontecer. A sanidade animal e vegetal vai falar mais alto daqui para a frente.


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