Concessão de rodovias: lideranças do Vale pedem divisão do Bloco 2 para maior atenção e eficiência das obras na região

“Temos que ter um trecho menor para que consigamos ter uma gestão mais eficiente dessas obras”, argumenta o presidente da CIC-VT


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Presidente da CIC-VT, engenheiro Ivandro Rosa (Foto: Gabriela Hautrive)

Desde que foi lançado o projeto de concessão de rodovias que cruzam a região, lideranças do Vale do Taquari fazem coro ao Governo do Estado para a implantação do sistema de cobrança automática de pedágio por meio de pórticos eletrônicos. O Piratini se mostrou sensibilizado com o pedido da região e, atualmente, estuda ajustes para incluir esse tipo de cobrança, chamada de free flow. Recentemente, o secretário estadual de Parcerias e Concessões, Pedro Capeluppi, esteve no Vale e ouviu as demandas locais.

Conforme o presidente da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços do Vale do Taquari (CIC-VT), Ivandro Rosa, o free flow tem como principal ponto positivo não dividir as cidades ao meio pelas praças de pedágio. Por isso, discute-se uma saída que contemple mais pórticos eletrônicos e um valor menor de tarifa por quilômetro rodado.

Outro tópico que os líderes defendem é a divisão do Bloco 2 de concessões em duas partes, para que o Vale do Taquari ganhe mais atenção.

Os trechos do Bloco 2 na região:

• ERS-130, do km 69,19 ao km 97,27
• ERS-129, do km km 67,55 ao km 163,34
• RSC-453, do km 0 ao km 29,83 e do km 37,97 ao km 96,18
• ERS-128, do km 13,89 ao km 30,27

Hoje, o bloco inclui ainda a ERS-135, a ERS-324 e a BR-470, que conectam Nova Prata, situada no Alto Taquari, à cidade de Erechim.

O volume de investimentos previstos em 30 anos é de R$ 4,2 bilhões para todo o bloco. Desse montante, R$ 3,1 bilhões é para o trecho fora do Vale do Taquari. “Temos que ter um trecho menor para que consigamos ter uma gestão mais eficiente dessas obras”, argumenta o presidente da CIC-VT.

“Temos que construir um projeto enquanto região”, Rosa defende. “Nos próximos meses, o governo vai apresentar uma proposta inicial. A tendência é lá para maio e, em cima disso, a gente vai poder avaliar, juntamente com os prefeitos por região, se aquelas obras fazem sentido e atendem as demandas daquela região”, explica.

A inclusão de obras no contrato impacta na tarifa do pedágio, porém, como é prevista uma arrecadação mais robusta com o free flow, esse óbice não seria tão grande.

Atraso nas obras da BR-386

Ivandro Rosa também falou sobre a rescisão de contrato entre a concessionária CCR ViaSul e a Eurovias para obras na BR-386. Conforme ele, são dois contratos: um para a duplicação de 20 km entre Marques de Souza e Lajeado, e outro para a construção de uma terceira pista entre Lajeado e Estrela, com pouco mais de 5 km. Com o rompimento, a CCR deve fazer a tomada de preços no mercado e contratar uma nova companhia para realizar os trabalhos.

Conforme o dirigente empresarial, as obras de duplicação estão atrasadas, pois deveriam ocorrer entre o terceiro e o quarto ano da concessão; 2024 é o quinto ano, e a entrega era prevista para julho de 2023. A terceira pista, por sua vez, era para ter ficado pronta em fevereiro passado.

Esses fatos preocupam principalmente pela insegurança para quem transita devido à sinalização precária na BR-386. Engenheiro de formação, Rosa descreve o trecho entre Lajeado e Estrela como desafiador de executar por conter grande concentração de obras de arte como viadutos e pontes. Isso impacta na vida das pessoas, e também do custo logístico para as empresas. “Cria prejuízos diretos e indiretos difíceis de mensurar”, argumenta.

Rosa lamenta a paralisação das obras. Sobre uma data para o retorno, estimado pela CCR ViaSul em abril, o presidente da CIC-VT diz que “vai depender muito da contratação da nova empresa”. “Essa data de outubro [para finalização da duplicação] fica comprometida. No momento, não dá para assegurar que teremos obras nesse trecho”, pontua.

Troca de guarda na CIC

No dia 15 de março será realizada uma assembleia da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços para definir uma nova diretoria e um novo conselho fiscal para a entidade.

“Até o dia 15 de março, devemos ter as inscrições das chapas e, depois, a escolha da nova diretoria”, conta o atual presidente, que está em seu segundo mandato e não deve continuar.

Ainda não tem nenhuma chapa inscrita. Pelo revezamento que é feito, deve ser alguém da parte alta do Vale do Taquari.

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