Confira os cenários no Colégio Eleitoral que podem eleger Trump ou Biden nos EUA

Dos 270 votos no Colégio Eleitoral necessários para eleger um presidente, 195 votos estão nos estados fiéis da balança, os swing-states.


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Foto: Montagem

A disputa pela Casa Branca entre o presidente republicano Donald Trump e o desafiante democrata Joe Biden — que foi o vice de Obama nos oito anos dele como presidente — será determinada em 13 estados-chave de batalha e dois distritos eleitorais.

Os americanos estão entre a continuidade de um presidente estasiante, polêmico, personalista, mas com grandes realizações, especialmente na consolidação de um judiciário conservador. E do outro lado, um político democrata tradicional, senador por seis mandatos do pequeno estado do Delaware que tenta moderar e se equilibrar em um partido cada vez mais à esquerda em sua base.

O vencedor precisará de pelo menos 270 votos de um total de 538 do Colégio Eleitoral. Não necessariamente o eleito precisará da maioria popular. No sistema americano, a votação é indireta: os eleitores votam nos estados, e o candidato que ganhar leva os votos do estado no Colégio Eleitoral. Cada unidade da federação tem um número proporcional à sua população.

Destes 270 votos necessários para se eleger um presidente, 218 votos eleitorais são em estados considerados prováveis ​​ou solidamente democratas. São os chamados estados azuis que incluem Nova York, Califórnia, Nova Jersey, Massachusetts e o Distrito de Columbia, onde está a capital Washington.

E 125 votos eleitorais vêm de estados prováveis ​​ou solidamente republicanos e que devem votar em Trump, como Alabama, Louisiana, Kentucky e o Tennessee. Isso deixa 195 votos no Colégio Eleitoral em disputa nos estados que são os fiéis da balança, os swing-states.

As médias das pesquisas finais mostram Biden à frente de Trump na maior parte desses estados-chave. Mas elas também mostram um estreitamento da disputa na reta final. No RealClearPolitics, a vantagem do democrata é de 2,3 pontos nesses estados de batalha. É liderança menor do que na média nacional, de 6,7 pontos.

Trump tem ampliado sua liderança entre os eleitores rurais, avançou entre os independentes e diminuiu a distância entre negros e hispânicos. Ele também conta com eleitores republicanos rebeldes, que estão retornando ao partido — apesar de Trump.

A grande dificuldade do presidente está entre as mulheres suburbanas, que votam em sua maioria nos democratas. E uma parcela dos eleitores brancos e idosos, que apoiaram Trump em 2016, mas hoje se inclinam para Joe Biden.

O republicano precisa de uma combinação delicada para um segundo mandato na Casa Branca. Trump vai ter que ganhar na Flórida, obrigatoriamente, e perseguir a Pensilvânia, um estado democrata, mas que lhe deu a vitória em 2016 por uma pequena margem. Trump levou os estados do Cinturão da Ferrugem — o meio-oeste industrial americano há 4 anos —, mas esses estados são tradicionalmente inclinados aos democratas.

O bilionário presidente vai precisar romper esse cinturão de novo, e segurar estados republicanos ameaçados, como a Geórgia, a Carolina do Sul e o Texas. São locais em que até há pouco tempo era impensável que um republicano não conquistasse tranquilamente, sem fazer campanha por lá.

Como o voto nos Estados Unidos é facultativo, tudo vai depender da participação dos eleitores — da capacidade que os candidatos têm de inflamar as suas bases. Os democratas votam 3 para 1 por correio, e aguardam ansiosamente esses votos chegarem posteriormente, e que possam ser contados para conseguirem a vitória.

Já os republicanos dominam o voto presencial em 2,5 por 1. Uma grande participação nesta terça-feira (3), em estados-chave, pode favorecer Trump. Uma grande recepção de votos por correio favorece Biden e os democratas

Todo este ciclo eleitoral foi ainda mais tenso pelos erros das pesquisas em 2016, que davam vitória para Hillary Clinton. Agora, os mesmos institutos dão grande vantagem para Biden, e os poucos que acertaram há quatro anos dão vantagem estreita para Trump. Porém, a liderança de Hillary era mais apertada do que a de Biden agora.

O fato é que a contagem deve se estender pelos próximos dias, e há chances de a disputa ser judicializada novamente, a exemplo do que tivemos em 2000, com George W. Bush superando o democrata Al Gore.

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

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