Conheça os detalhes da cirurgia bariátrica e os critérios para o paciente ser elegível ao procedimento

A cirurgia é complexa, dura cerca de 2 horas e meia, e é realizada por meio de câmera de alta resolução, com cortes mínimos.


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Foto: Kaspars Grinvalds / Reprodução / Shutterstock

O cirurgião Evandro Reis, membro do corpo clínico do Hospital Bruno Born (HBB), de Lajeado, foi um dos profissionais a serem certificados pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), no final de setembro. O evento destacou 60 profissionais e cinco hospitais que cumpriram o Programa de Certificação e Acreditação em Cirurgia Bariátrica. Reis agora é um dos seis médicos do Estado a contarem com o título, que tem o objetivo de aferir a qualidade do serviço oferecido por hospitais, cirurgiões e equipes multidisciplinares.

Conforme explica o profissional, “a cirurgia bariátrica é uma área de atuação dentro do aparelho digestivo”. “Diferente de outros procedimentos ou outras áreas médicas, na cirurgia bariátrica, o procedimento cirúrgico sozinho não é nada. A cirurgia bariátrica é apenas um empurrão para a gente poder ajudar o paciente obeso que não consegue emagrecer e que está doente. Para isso, nós precisamos de uma equipe multidisciplinar para cuidar do paciente”, detalha.


ouça a entrevista

 


Para ser elegível para a cirurgia, o candidato deve cumprir uma série de requisitos: tem que ser obeso há mais de cinco anos, ter comprovado a ineficácia do tratamento clínico para obesidade por dois anos, e receber laudos médicos positivos de cardiologista, endocrinologista, psiquiatra e nutricionista. Além disso, o paciente tem que apresentar índice de massa corporal (IMC) acima de 40 pontos, o que caracteriza obesidade mórbida. Para fazer o procedimento com índice entre 35 e 40, a pessoa deve ter alguma comorbidade associada.

“Se todos os profissionais concordarem com isso, faremos a conversa com o paciente para mostrar para ele que apenas uma mudança radical de hábitos de vida é o que vai fazer com que ele saia da doença obesidade, e não apenas a cirurgia”, ressalta Reis. “Só o desejo de fazer a cirurgia não é o suficiente”, pontua. Os novos hábitos envolvem o tripé atividade física, ajustes na dieta e estabilização psicológica.

Cirurgião Evandro Reis em entrevista à Rádio Independente (Foto: Jonas de Siqueira)

Conforme o especialista, a cirurgia é complexa: precisa de equipamentos específicos como tesouras ultrassônicas e grampeadores descartáveis. O procedimento dura cerca de 2 horas e meia, é realizado por meio de câmera de alta resolução, com cortes mínimos e adaptados à situação de cada paciente. O custo fica em torno de R$ 30 mil, por isso a maior parte é realizada por convênios de saúde.

Reis explica que o acompanhamento médico pré-operatório leva entre 4 e 6 meses. Já no pós-operatório, o paciente deve realizar consultas periódicas para o resto da vida, especialmente com endocrinologista.

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

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