A Consciência para lidar com Alimentos


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Foto: Divulgação

Tive a satisfação de ser do grupo que acreditou e iniciou os trabalhos com as agroindústrias familiares. O programa teve seu início em 1998 e 99 no governo Olívio Dutra.

Poucos acreditavam que daria certo e não é que deu. Por isto tem tanta gente querendo tirar um pouquinho das agroindústrias estabelecidas. A própria legislação, apesar de algumas mudanças, ainda é direcionada para as de maior porte e cria problemas de interpretação.

Isto vale para a legislação sanitária, ambiental e fazendária e agora de segurança.
Não vejo lógica nisto, mas como estou aposentado e fora de circuito…

Enquanto estive na ativa no Centro de Treinamento de Montenegro os cursos semanais de agroindústria passávamos os principais pontos da legislação e de elaboração dos projetos. Mas a ênfase mais forte era as Boas Práticas de Fabricação. O contato era mantido durante todos os dias da semana de manhã à noite. A convivência nos permitia tirar uma ideia do participante se daria certo ou não para lidar com alimentos.

Quando visitávamos a propriedade também nos davam ideia se poderia dar certo ou não. Às vezes me sentia culpado ao dizer com jeito que não seria possível fazer a agroindústria quase sempre por falta de matéria prima, mas outras vezes por não ter condições de lidar com alimentos. Aí mais complicado explicar. Nunca fiz um levantamento técnico do percentual que deram certo, mas acredito que fica ao redor de 7%.

Alguns chegaram a começar trabalharam por alguns anos e fecharam por falta de matéria prima, doença na família e ou com problemas na hora do gerenciamento.

Outros em pouco tempo passaram de familiar para pequena agroindústria e até médio porte. De forma otimista acredito que aqueles que participaram do curso tenham levado conhecimento para o dia a dia de suas vidas.

Era muito importante também a troca que acontecia entre os participantes e que ajudava na decisão de implantar ou não uma agroindústria.

O programa cresceu hoje passa folgado de mil agroindústrias atuando no estado. Isto chama atenção não só dos consumidores como também dos “concorrentes” e órgãos fiscalizadores. Nos principais eventos, exposições, feiras o “canto das agroindústrias” atrai as atenções.

Lógico que a “concorrência” não gosta e cobra da fiscalização em igualdade. Muitos ainda não conhecem o conceito da “agroindústria familiar” e o que ela representa socialmente na comunidade.

Isto também se refletia na fiscalização e encontrávamos alguns fiscais mais compreensivos e que queriam ajudar: resalto sem “facilidades não legais”.

Outros ao contrario só colocavam pedras no caminho para que realmente não fosse adiante. Usavam de todos os argumentos burocráticos. Como “judicializaram” tudo entrou outro ponto de ser considerado, o medo de ser envolvido em problemas legais e responder processos. E há aqueles que assustam os responsáveis técnicos que cada vez mais procuram de cercar-se de proteção com documentação e aumenta a burocracia. Parece-me que é isto que acontece com os feirantes falta “papel”.

E tem sua lógica o pessoal se preocupa em produzir e não, provar o que esta produzindo, como e quando. Nos casos em que a agroindústria esta nas mãos de mais velhos complica mais ainda. Se há filhos envolvidos e estes lidam com computadores facilita um pouco.

O gerenciamento das agroindústrias passa pela informática e isto precisa ser separado das condições sanitárias e ambientais. Por outro, lado tem sim aqueles que agem com má fé e alteram rótulos.

E não são somente os pequenos. Vendem produtos vencidos para serem reaproveitados, Produtos alterados e de má qualidade. Há comerciantes gananciosos e vem o lucro acima de qualquer coisa. Estes sim precisam responder legalmente por serem os responsáveis.

Na fiscalização sempre achei que faltava liberdade e disponibilidade de recursos para que o fiscal fosse comprar no mercado o produto e mandar para análise no laboratório e comparar com o que esta ainda dentro da agroindústria.

O produto pode ter problemas depois do que saiu da sua origem no transporte, na estocagem ou no balcão do mercado ou mesmo dentro de casa na hora do processamento, sem o conhecimento do fabricante. E sobre ele recai a culpa na maioria das vezes.

O assunto vai longe o consumidor pode ajudar sendo um observador do que esta comprando. Dando preferência a marcas conhecidas e da região para poder cobrar. Na feira melhor ainda a troca se dá no “olho a olho”. Fidelizar hoje é importante.

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