Coronavírus: mortes de médicos pelo avanço da Covid-19 leva categoria à greve no Peru

Um dos países mais atingidos pela pandemia, o Peru enfrenta sua terceira greve de médicos em menos de seis meses.


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O padre Portillo foi infectado com covid-19 em maio, enquanto trabalhava como médico voluntário na cidade peruana de Iquitos (Foto: PADRE PORTELLI/ARQUIVO PESSOAL)

“Assim como eu, muitos médicos não pararam de trabalhar depois que ficaram doentes. Os pacientes precisam de nós.”

“Mas estou com raiva por eles terem morrido. Não precisava ser assim.”

É com a voz trêmula que o padre Portillo, que trabalha como médico voluntário na cidade peruana de Iquitos, se lembra da morte de três colegas dos tempos de universidade que perderam a vida para a Covid-19.

Eles estão entre os mais de 230 médicos mortos pela doença no país sul-americano.

Portillo conta à BBC que as condições de trabalho e segurança para as equipes de saúde no Peru se deterioraram tanto que a classe está organizando a terceira greve de médicos em apenas seis meses desde que a pandemia chegou ao país.

Quase 12 mil médicos infectados

Dados do Conselho Médico Peruano (CMP) mostram que quase 12 mil médicos foram infectados pelo coronavírus até o momento.

Associações e sindicatos denunciam que a situação foi agravada pela forma como o governo está gerindo a pandemia e também pelas más condições de trabalho, que vêm de antes do coronavírus, no setor público de saúde.

Na quarta-feira (13), médicos de todo o país anunciaram que suspenderiam seus trabalhos, exceto os emergenciais. Paralisações anteriores semelhantes, em agosto e outubro, duraram 48 horas.

“Nenhum médico se forma para fazer greve. Todos queremos tratar as pessoas, mas não conseguimos fazer isso adequadamente nas condições atuais”, diz Juan Ramirez, clínico geral que organizou a paralisação na província de Loreto.

“Não se trata de ganhar mais dinheiro. Quando você precisa comprar seu próprio EPI (equipamento de proteção individual) e usar uma máscara descartável por mais de uma semana, vê que algo está realmente errado.”

Os organizadores da paralisação garantem que os tratamentos de pessoas com Covid-19 ou outras doenças, como tuberculose, câncer e HIV, não serão interrompidos.

Ramirez, que trabalha em uma unidade de emergência, se reveza entre piquetes e plantões noturnos atendendo pacientes com Covid-19.

Fonte: G1

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