Coronavírus transforma lua de mel em resort de luxo nas Maldivas em prisão

Olívia e Raul de Freitas eram os únicos hóspedes em hotel cinco-estrelas durante isolamento.


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Olívia de Freitas durante lua de mel nas Maldivas (Foto: Arquivo pessoal)

Olivia e Raul de Freitas estão em lua de mel em um resort cinco-estrelas nas Maldivas, país composto por mais de mil ilhotas idílicas no Oceano Índico, como um rastro de vidro quebrado sobre uma chapa de cristal azul.

O lugar, que há anos aparece em páginas duplas de revistas elegantes, mostrando cabanas de luxo sobre palafitas em águas turquesa surreais, foi uma opção óbvia para a viagem romântica.

O casal chegou logo após seu casamento na África do Sul, onde os dois têm cidadania, no domingo, 22 de março, com o plano de ficar lá durante seis dias.

Para a professora de 27 anos e o açougueiro de 28, a viagem “foi uma extravagância”, disse Olivia de Freitas. Como eles não tinham morado juntos antes de trocar alianças, porém, seria um início curto e festivo da união.

Eles tinham algumas preocupações sobre a viagem, diante das crescentes restrições por causa do surto de coronavírus em todo o mundo.

Mas nada que os afetasse especificamente havia sido anunciado, e seu agente de viagens garantiu que, independentemente das políticas adotadas, todos os cidadãos sul-africanos poderiam voltar para casa. Vão em frente e divirtam-se muito, disseram aos noivos.

Na última quarta-feira (1º), eles receberam o aviso de que todos os aeroportos de seu país seriam fechados às 0h de quinta.

Os voos de retorno à África do Sul duram cinco horas até Doha, no Catar, uma escala de três horas e mais nove horas até Joanesburgo —por isso, mesmo que o casal se esforçasse e conseguisse um voo, a complexidade de deixar a ilha remota garantia que eles não chegariam em casa antes do bloqueio.

Enquanto a maior parte do mundo parava rapidamente, os poucos hóspedes que continuavam no balneário na semana passada escaparam para seus países.

Os últimos a partir, americanos, conseguiram uma autorização para voar até a Rússia e de lá voltar aos Estados Unidos.

O casal Freitas considerou fazer a viagem de uma hora e meia de lancha até a ilha principal e tentar a sorte no aeroporto.

Mas nessa altura as Maldivas também tinham anunciado um bloqueio, proibindo a entrada de qualquer viajante estrangeiro. Se eles deixassem o resort, talvez não pudessem voltar. Então decidiram ficar.

Raul de Freitas, que sua mulher descreve como um homem calmo, aceitou o estranho curso dos fatos. Tudo se resolveria, e além disso eles estavam no paraíso.

Olivia, naturalmente, compartilhava em parte o deleite do marido, mas sentiu que um pesadelo logístico kafkiano estava se formando.

Fonte: Folha de SP

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